Tu és sacerdote para a eternidade!

Jesus Cristo escolhe certos homens, a quem dá uma participação real do Seu sacerdócio. São os padres que o Bispo consagra no dia da ordenação. Com as mãos estendidas sobre a cabeça daquele que vai consagrar, o Bispo invoca o Espírito Santo, pedindo-lhe para que desça à sua alma. Naquele momento, poder-se-iam repetir ao sacerdote as palavras do Anjo a Maria: Spiritus Sanctus superveniet in te. O Espírito Santo envolve-o, para assim dizer, e opera nele uma semelhança e uma união tão estreita com Jesus, que, como Jesus Cristo, se torna sacerdote para a eternidade. A tradição denominou o sacerdote “outro Cristo”: é escolhido para ser, em nome de Jesus Cristo, mediador entre o céu e a terra. É esta uma realidade sobrenatural. Vede: quando o sacerdote oferece o sacrifício da Missa, que reproduz o sacrifício do Calvário, identifica-se com Jesus Cristo. Não diz: “Isto é o corpo de Cristo, isto é o sangue de Cristo”. Se assim o fizesse, não haveria sacrifício. Mas diz: “Isto é o meu corpo, isto é o meu sangue”.

Desde aquele momento, o sacerdote, consagrado a Deus pelo Espírito Santo, torna-se, como Jesus Cristo, Pontífice e Mediador entre os homens e Deus, ou antes, é a mediação única de Jesus Cristo que se prolonga na terra, através dos tempos, pelo ministério dos sacerdotes. O padre oferece a Deus, em nome dos fiéis, sobre o altar, o sacrifício eucarístico; do altar distribui ao povo a Vítima sagrada, o pão da vida, e com ele, todos os dons e todas as graças.

O altar é, na terra, o centro da religião de Jesus, como o Calvário é o remate e a culminação da Sua vida. Todos os mistérios da existência terrestre de Jesus convergem, como já disse, para a imolação da cruz; todos os estados da Sua vida gloriosa aí vão haurir o seu esplendor.

É por isso que a Igreja não comemora nem celebra mistério algum de Jesus sem oferecer o santo sacrifício da Missa. Todo o culto público organizado pela Igreja gravita em torno do altar; o conjunto das leituras, orações, louvores e homenagens, que se denomina Ofício divino, em que a Igreja descreve e exalta os mistérios do Seu celeste Esposo, foi por ela regulado para enquadrar o sacrifício eucarístico.

Seja, pois, qual for o mistério de Jesus que celebremos, não podemos, depois de o termos contemplado e meditado com a Igreja, participar nele de modo mais perfeito nem preparar-nos melhor para dele colhermos os frutos, do que assistindo com fé e amor ao sacrifício da Missa e unindo-nos, pela Comunhão, à vítima divina por nós imolada sobre o altar.

Dom Columba Marmion, O. S. B. – “Jesus Cristo nos Seus Mistérios”, Mosteiro de Singeverga, Edições “Ora & Labora”, tradução de 1958 do original de 1919, páginas 107 e 108.
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