Santificação das relações de amizade – Parte III

3º DAS AMIZADES QUE SÃO POR SUA VEZ SOBRENATURAIS E SENSÍVEIS 
605. Pode ocorrer as vezes que se misturem, em nossas amizades, o natural com o sobrenatural. Desejamos realmente o bem sobrenatural do amigo, mas ao mesmo tempo desejamos gozar de sua presença, de suas palavras, e sofremos muito com sua ausência. São Francisco de Sales descreve isto muito bem (167): “Começa por amor virtuoso, se mistura depois o amor sensual, e, finalmente, o carnal; assim que no mesmo amor espiritual há risco, se não se tem precaução; apesar de que neste [tipo de amor] não é tão fácil se enganar, porque em sua pureza e brancura são mais visíveis as manchas que o demônio deseja impor; o qual, quando tenta fazê-lo, usa de maior sutileza, e procura que as impurezas fluam quase insensivelmente.”
606. Também aqui se deve vigiar o coração e empregar meios eficazes para não se embrenhar por um terreno perigoso.
a) Se o elemento sobrenatural é o que predomina, pode-se conservar e manter a amizade, mas ela deve se purificada. Para isto é essencial abster-se primeiramente de tudo quanto possa favorecer a parte sensível, de práticas frequentes e afetuosas, de familiaridades, etc.; é fundamental, algumas vezes, nos privarmos de estar com o amigo, mesmo que não haja nada de mal nele, e saber cortar uma conversa que deixe de ser proveitosa. Com isto adquirimos certo domínio sobre nossa sensibilidade, e evitamos as ocasiões perigosas.
b) Mas, se o elemento sensível predomina, seria adequado, por bastante tempo, renunciar a todo contato íntimo com aquele amigo, fora das ocasiões necessárias; e, nestas, suprimir toda frase de afeto. Desta maneira deixaremos que a sensibilidade se esfrie, esperando, para restabelecer o contato, que reine o sossego na alma. O novo trato tem, então, um outro caráter; se assim não for, deve suprimir-se para sempre.
c) Seja como for, temos de nos valer de todas esta provas para fortalecer nosso amor a Jesus, protestar que não queremos amar senão a ele e por ele, e ler continuamente os capítulos VII e VIII da Imitação de Cristo. Deste modo as tentações serão ocasiões de novos triunfos.


notas: 167:  Vida devota, 1. c. cap. XX.

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