Arte Sacra: Epidemia leprosa da Arte Contemporânea X Beleza do Sagrado

 Uma Catedral Gótica em tempos da destorcida Arte Sacra Contemporânea

Interior da nova Catedral, ainda em construção

Nadando totalmente contra a nova onda da “heresia artística-arquitetônica” que tem sufocado desde o começo do século XX as riquezas sacras da Igreja, ergue-se em um país muçulmano, Cazaquistão, uma nova Catedral, expressão visível da beleza milenar de nossa Fé.  
 A nova Catedral de Karaganda, inspirada no exemplo mais marcante da arquitetura gótica – a Catedral de Colônia, o projeto da nova igreja foi desenhado em esboço do arquiteto alemão Dr. Karl-Maria Ruf, com as modificações estruturais necessárias às condições climáticas locais definidas por um arquiteto local, Vladimir Gregorevitsch Sergeyev.

A ideia primordial de construir uma nova catedral, no lugar da velha Sé de São José, começou em Mons. Jan Pawel Lenga, arcebispo (título ad personam) de Karaganda até a sua renúncia em 05 fevereiro 2011. Ele desejava uma nova igreja que oferecesse possibilidades de “evangelização por meio da beleza”, mas também uma expiação visível e permanente dos crimes do regime comunista. Portanto, desde aqui Mons. Jan Lenga quis dedicá-la ao patrocínio de Nossa Senhora de Fátima, que alertou aos Pastorinhos dos pecados a que o mundo assistiria nos anos seguintes à sua aparição.

O bispo de Karaganda, Mons. Janusz Kaleta, nomeado em fevereiro de 2011, apresentou o pedido que o Papa Bento XVI dedicasse a nova catedral. Para isto ele nomeou um legado seu, o Cardeal Angelo Sodano, Decano do Colégio Cardinalício, para presidir a cerimônia com rito de dedicação da igreja e sagração do altar no último domingo, dia 09.

Catedral de Karaganda , inspirada na maior representação do gótico sacro, a Catedral de Colônia



Os males da Arte Sacra Contemporânea

Para entendermos a nova arquitetura sacra, é preciso lembrarmos da arquitetura contemporânea num todo.

A arquitetura moderna surgiu em conseqüência do desejo de utilizar materiais de construção do século XX – aço, vidro, concreto armado – e algumas técnicas, como a das estruturas em balanço, a fim de aumentar a beleza escultural dos edifícios, ao mesmo tempo que se procurava aumentar-lhes a funcionalidade.

· Totalitarismo – o mito da simplicidade – aniquilamento. Esta foi a primeira arte a ser empolgada pelos totalitários, que distorceram a procura da simplicidade na arquitetura moderna a ponto de convertê-la em monotonia. O aniquilamento é essencial ao totalitarismo. Ele aniquila a personalidade, a variedade, a diversidade de sentimentos ( … ); ele cega a visão, mata os instintos e oblitera o passado.

· Irracionalidade. Por ser também irracional, o totalitarismo ergue edifícios com telhados achatados e grandes paredes de vidro em climas árticos, e depois sufoca os moradores com sistemas de superaquecimento, enquanto os telhados achatados afundam sob o peso da neve.

· Gelatina totalitário-confusionista. O totalitarismo é um câncer no corpo da História, pois chega até mesmo a obliterar as distinções. Faz as fábricas parecerem escolas ou hospitais para débeis mentais – ao passo que as fábricas tinham, antes, a beleza específica consistente em revelar seu tamanho, e às vezes sua função brutal, pois a beleza não pode existir sem revelação da verdade, nem o homem, talvez, sem a beleza. Ao mesmo tempo, as escolas são construídas como se fossem fábricas. Isso deprime o povo norte-americano, porque ele percebe, embora inconscientemente, que está instalado numa verdadeira gelatina de ambiente totalitário, que leva ao aniquilamento de seus esforços individuais.

· Incompatibilidade com a tradição. Essa nova arquitetura, essa arquitetura totalitária, destrói o passado. Ela não deixa vestígios das formas que existiram nos séculos anteriores a nós; nada de sua altivez, de seus privilégios, de suas aspirações, de sua subtileza, de suas criações, e nada, até, de suas banalidade. Estão-nos deixando com uma compreensão cada vez menor da vida dos homens que nos precederam. Deste modo, vamos ficando menos capazes de julgar os valores completamente psicóticos do presente: crimes, abrigos anti-atômicos, ameaças ( … ).

As pessoas que admiram a nova arquitetura acham-lhe valor porque ela oblitera o passado. Essa gente é suficientemente totalitária para desejar fugir das conseqüências do passado. Isso naturalmente não quer dizer que elas próprias se vejam como totalitárias. A paixão totalitária é inconsciente. Qual o liberal que, ao lutar por uma maior expansão habitacional e por maior cubagem de ar nas salas de aula das escolas primárias, não se vê como um benemérito? Poderá ele compreender que o prazer meio viscoso que sente ao ver pronta a nova escola – esse horror de arquitetura – é reflexo de um prazer baixo e subconsciente, é, enfim, a alegria totalitária de ver que agora estão sendo extirpados os florões góticos e a opressão românica, que entraram em sua mente já nos bancos escolares da infância? ( … ).

Os novos conceitos na Arte Sacra

Sob essa onda da arte moderna e contemporânea, adotou-se também na Igreja, essa nova forma de expressão, rompendo totalmente com a Tradição e Magistério da Igreja, gerando tantas “aberrações” que quotidianamente somos obrigados a ver e frequentar em todo o mundo. 
Ainda em Fevereiro de 1954, Exmo. Revmo. Sr. Cardeal Celso Costantini publicou um artigo sobre a arte moderna intitulado  “Senhor, amei o decoro de tua Casa”, que gerou grande repercussão mundial, principalmente no que diz Respeito à Arte Sacra.  O Artigo foi veiculado por uma revista de grande prestigio, “Fede e Arte”, editada pela Pontifícia Comissão Central para a Arte Sacra na Itália, e dirigida pelo Exmo. Revmo. Mons. Giovanni Costantini, Arcebispo titular de Colosse e Presidente da mesma Comissão. A sede desse organismo está no Palácio da Chancelaria Apostólica, e a revista é impressa na Tipográfica Poliglota Vaticana.
Eis alguns trechos de suma importância desse artigo:

“Dói-me deturpar as paginas serenas e límpidas desta revista, reproduzindo, pelo menos parcial e sumariamente, os horrores iconográficos de uma suposta arte modernista. Mas é necessário documentar aspectos desta recentíssima heresia iconográfica, para que não se diga que falo quasi aerem verberans ( I Cor. 9, 26 ). Tratei do assunto no fascículo II de Fede e Arte de fevereiro de 1954, sob o título Senhor, amei o decoro de tua Casa. Mas a deformação das sagradas imagens continua a crescer em furor, do mesmo modo por que recalcitraram obstinadamente as antigas heresias.”
“É por isto que parece necessário e até mesmo urgente empunhar o açoite com que Jesus Cristo Nosso Senhor expulsou os profanadores do Templo”

A negação da divindade de Cristo:

“A heresia, considerada somente sob o aspecto objetivo ( o aspecto subjetivo pertence à moral ), é definida da seguinte maneira: Uma doutrina que contraria diretamente uma verdade revelada por Deus e como tal proposta pela Igreja aos fieis. Nesta definição se revelam duas notas essenciais da heresia: a) a oposição a uma verdade revelada: b) a oposição à definição do Magistério Eclesiástico ( Parente, Piolanti, Garofalo: Dizionario di Teologia Dommatica, Studium, pag. 86 ).”

“O atentado de Leão, o Isaurico e de outros Imperadores bizantinos contra o culto das sagradas imagens foi chamado de heresia iconoclástica, que ficou famosa na Historia da Igreja.”
“Hoje em dia não se nega, teoricamente, o culto das sagradas imagens, mas, sob certo aspecto, faz-se qualquer coisa de pior, isto é, degrada-se o culto, nega-se com a heresia figurativa a divindade de Cristo e de sua Igreja”

Comunismo, Maçonaria e a nova heresia:


“Alguns Religiosos e muitos artistas estão por certo de boa fé, e convém elucidá-los, dissipando o fetichismo da modernidade. Mas alguns artistas, inscritos em partidos inimigos da Religião ou ateus, desenvolveram uma subtil e pérfida ofensiva contra a Religião, paralelamente à ofensiva que se conduz em certa imprensa, tornando desprezível e repugnante a iconografia sagrada e portanto o culto cristão. São conhecidas as caricaturas blásfemas difundidas na Rússia e na China.”

“Bem sabemos que, segundo a teoria de Marx, Engels, Lenine, etc., a religião é uma superstição anticientifica, é o ópio dos povos, e como tal deve ser combatida por todos os meios a fim de se instaurar a ditadura do povo. Para estes corifeus do materialismo também a arte está ligada à luta de classes, e nela deve tomar parte contra a assim chamada arte burguesa, especialmente contra a arte religiosa. Parece que arte comunista se afirma onde começa o esfacelamento da arte burguesa e especialmente o esfacelamento da arte cristã.”

“O escultor P. Canonica me disse: Deus deu aos artistas o dom de compreender e reproduzir a beleza. Agora, pelo contrário, deturpa-se a beleza criada por Deus. Estamos na presença do anti-Cristo, que arrasta tantos artistas, conscientemente ou não, levando-os a desonrar a arte da Igreja. Há também uma instigação da maçonaria. É necessário reagir incansavelmente contra a obra do anti-Cristo, que entra nas igrejas, ocultando-se com os paramentos sagrados para enganar os fiéis. Não se trata somente de arte, mas da defesa da Religião, e isto diz respeito a vós, Sacerdotes.”


E ainda, de maior importância, diz sobre a Arte Sacra no Brasil:
“Há infelizmente engenheiros e arquitetos que ignoram ostensivamente a Instrução do Santo Ofício, inserindo e desenvolvendo nos esquemas arquitetônicos das igrejas as mais arbitrárias extravagâncias de construção, de maneira que ditas igrejas podem parecer pavilhões de feiras de amostras, abrigos de praia de banho ou qualquer outro edifício, exceto igreja.
Recebo agora o nº 33 da revista Arquitetura e Engenharia do Brasil, com extravagantes projetos para diversas igrejas. Um arquiteto indignado escreve-me: Desde que um baixo materialismo invadiu o campo da arte neste país, especialmente nos setores da arquitetura, estou travando uma batalha sem tréguas contra esta manifestação existencialista nas artes plásticas, chamada “arte moderna”, a qual por meio de uma poderosa organização de caráter internacional, está prejudicando enormemente a formação artística da juventude de todo o mundo”.

Parece-nos, que o Cardeal já previa as monstruosidades projetadas e executadas por nossos “grandes artistas sacros” brasileiros: Niemeyer e Claudio Pastro. 

 Dentre tantas Igrejas construídas no nosso país por Oscar Niemeyer (Catedral de Brasília-DF, Igreja de São Francisco-Belo Horizonte-MG, entre outras) , destacamos o novo projeto que está sendo executado na capital mineira:

E outros reflexos desse novo pensamento artístico sacro no mundo que tem alcançado prêmios, como o Nobel da Engenharia dada a nova Igreja de Fátima:
E a nova Igreja de São Padre Pio, em San  Giovanni Rotondo, Itália:
Por fim deixo o link das fotos da cerimônia de dedicação da nova, bela e sacra Catedral de 

 KaragandaCazaquistão, para que comparem a herética Arte Sacra aplicada ao nosso tempo, com a Tradicional Arte Sacra adaptada com as novas tecnologias de construção, sem roubar os símbolos, riqueza e valores construídos por tantos séculos por nossos verdadeiros artistas sacros.

  

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