Daí ser também um vício a falta de paixão da cólera

Por Santo Tomás de Aquino

A cólera deve ser entendida de dois modos. De um, como simples movimento da vontade, pelo qual alguém impõe uma punição, não por paixão, mas em virtude de um julgamento de razão. E assim, sem dúvida, a falta de cólera é um pecado. Quando um homem se zanga com razão, sua cólera já não provém da paixão e por isso se diz que ele julga, não se enraivece. Em outro sentido, a cólera é tirada de um movimento de apetite sensível, que acompanha uma paixão resultante de uma transmutação do corpo. Esse movimento é uma seqüência necessária, no homem, do movimento de sua vontade, desde que o apetite mais baixo acompanha necessariamente o movimento do apetite mais alto, a menos que haja um obstáculo. Assim é que o movimento de cólera no apetite mais alto, no apetite sensível não pode faltar de todo, a menos que o movimento da vontade também falte ou seja fraco. Daí ser também um vício a falta de paixão da cólera, mesmo como falta de movimento na vontade dirigida à punição pelo julgamento da razão. (Suma Theol. II, IIae, q. 158 art. 8)
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