LIVRO: ESSÊNCIA E ATUALIDADE DO TOMISMO

Corrispondenza Romana | Tradução: Mônica Santana
LIVRO: ESSÊNCIA E ATUALIDADE DO TOMISMO
(de Fabrizio Cannone) Atualmente grande parte da classe docente da Igreja, não excluindo seu corpo episcopal, se afastou por vezes mais, por vezes menos, de Santo Tomás de Aquino, em nome de outros teólogos autorizados, mais frequentemente por causa da modernidade e de suas exigências no campo do pensamento. De muitos então se pretende integrar certas instâncias do tomismo ao interior de sistemas fundados no imanentismo, criando uma confusão enorme, especialmente entre os jovens estudantes de teologia.

A lista de autores e teólogos neste sentido seria longuíssima e inútil. Seria possível questionar como a autoridade eclesiástica não foi bem sucedida em evitar uma verdadeira reviravolta, especialmente nos Seminários e Faculdades católicas, ou melhor, nos lugares mais adequados para estudá-lo, aprofundá-lo e servir-se dele como escudo no resguardo do pensamento relativista de nossos tempos. Sinteticamente, como escreveu João Paulo II, em “muitas escolas católicas, nos anos que se seguiram ao Concílio Vaticano II, foi possível observar, na matéria, certa decadência devido à menor estima, não somente à filosofia escolástica, mas geralmente no estudo da própria filosofia” (Fides et Ratio, 61).
O excelente tomista que foi o padre dominicano Reginald Garrigou-Lagrange (1897-1964) explica em um breve texto recentemente publicado (cf R. Garrigou-Lagrange, Essência e Atualidade do Tomismo…) as razões pelas quais se devem manter a teologia de São Tomás, contra as ideias de “superação” que circulavam abundantemente antes da virada conciliar. Desta forma, o opúsculo demonstra como “a doutrina de São Tomás permanece e permanecerá sempre atual, porque (…) conserva aquelas verdades imutáveis sem as quais é impossível fazer uma correta ideia de Deus, da alma, do mundo; porque a doutrina de São Tomás é, além disso, uma defesa filosófica de valor real das verdades primordiais provenientes do senso comum, que não sabe, porém, defender-se sozinho” (p.11).
Com efeito, desaparecendo o tomismo em nome do espírito crítico e da modernização, são rendidas tantas noções a um tempo fixas e claramente inteligíveis, como in primis aquelas próprias de Deus, alma, mundo, homem, verdade, bem: termos hoje usados em milhares de asserções diferentes das teológicas, infiltradas em milhares de filosofias distantes da Tradição (como o kantismo, o fideísmo, o evolucionismo, o pragmatismo, as escolas insidiosas de Husserl, Bohnhöffen, Heidegger, etc). Ainda recentemente, no Observatório Romano (18.01.2013, p.4) atacava-se tanto São Tomás quanto as 24 célebres teses tomistas do padre Guido Mattiussi, aprovadas e autorizadas pela Sacra Congregação para os Seminários em 1925, com o aval explícito do Papa Pio XI (e mencionadas no livro nas páginas 86-90).
Se, porém, como escreveu Paulo VI, São Tomás é, por antonomásiao Apóstolo da Verdade” (Lumen Ecclesiae, 8) e se sua filosofia “é verdadeiramente a filosofia do ser e não das simples aparências” (Fides et Ratio, 44), então la trahison des clercs que se avultou após do Vaticano II, na rejeição do tomismo tem uma de suas causas endógenas principais. Analogamente a retomada do pensamento de São Tomás em todos os campos do saber (teologia, filosofia, ética, direito, política, economia, etc), e sob sua luz analisar, purificar e refutar os sistemas espúrios da filosofia contemporânea, não poderá senão levar a uma nova geração de custódios do pensamento católico, ou melhor dizendo, de cultores da verdade.

Advertisements

Deixe seu comentário aqui

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s