A Igreja de DEUS

Por Dom Antônio de Castro Mayer | Publicado no periódico “Heri et Hodie”, ano III, n. 18, de 03/03/1985.

– Fora da Igreja não há salvação – define o IV Concílio de Latrão, reunido por Inocêncio III, em novembro de 1215. Na expressão do Concílio: “Há uma só Igreja Universal de fiéis, fora da qual absolutamente ninguém se salva (DS. 802)”. De onde, para o fiel, o interesse capital de se manter dentro da Igreja. Em outros termos, interessa sobremodo conhecer a Igreja de Cristo, para identificá-la e nela se acolher, pois está em jogo o destino eterno.
Nesta matéria, eis os dados da Fé: a única Igreja de Jesus Cristo – a Católica Apostólica Romana – é composta, especialmente, de duas classes de membros: uma, a dos que ensinam, santificam e governam: é a Hierarquia, toda ela constante de elementos do Clero. A outra classe, o povo fiel, é ensinada, santificada e dirigida pela Hierarquia.
Não basta ingressar na Igreja pelo Batismo. É mister conservar-se no seu seio, na agremiação visível que é a Igreja Católica, e aí ser parte atuante, sob a direção da Hierarquia sagrada. Só assim o fiel está na Igreja e no caminho da própria salvação.
A pergunta como se dá essa intercomunicação entre a Hierarquia e os fiéis, responde-se através das paróquias, e, mais concretamente, das associações religiosas fundadas pela mesma Igreja, com sua “longa manus” entre os fiéis. Tais são, entre outras, as Congregações Marianas e a Pia União das Filhas de Maria.
A Hierarquia da Igreja é constituída do Papa e dos Bispos unidos ao Papa. Um bispo pertence à Hierarquia. Não é a Hierarquia. Em consequência pode haver um ou mais bispos que falhem nos seus deveres ou mesmo na Fé, sem que por isso a Hierarquia como tal tenha falhado. Exemplo vivo dá-nos o Sacro Colégio dos Apóstolos. Entre eles havia Judas, o traidor. Judas era Apóstolo como os demais. Não quer dizer que sua traição deva atribuir-se a todo o Colégio dos Apóstolos.
Por aí se vê o risco das generalizações. Podem elas levar os indivíduos a se afastarem do seio da Igreja visível, para levar vida a parte, confiado na capacidade de se manter fiel a Nosso Senhor. Engana-se, porquanto a Fé nos declara que “fora da Igreja não há Salvação”. Em outras palavras: é na Igreja e pela vida na Igreja que o fiel se encaminha seguramente para sua salvação eterna.
Há quem objete: e se toda Hierarquia falhar, como parece dar-se atualmente?
Respondemos negando a possibilidade do fato. Como foi Jesus Cristo que instituiu a Hierarquia, como classe dirigente para ensinar ao Mundo (Mt 28, 19 -20; Mc 16, 15-16), a Hierarquia toda, como tal, não pode falhar. Sua falência seria a do próprio Jesus Cristo, coisa impensável. De maneira que, em qualquer época da história, tem o fiel meios de atingir o ensino autêntico da Hierarquia Sagrada e, dessa maneira, de não vir a falhar na sua Fé. Mesmo hoje – para ficar na época contemplada pela objeção – há, por toda a parte na Hierarquia, sólidos movimentos de integridade doutrinária, bastante para manter intacta na Igreja a Revelação da Fé Apostólica, transmitida pela Tradição.
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