Raimundo Lúlio: “Maomé foi um enganador que fez um livro chamado Alcorão”

Raimundo Lúlio: “Maomé foi um enganador que fez um livro chamado Alcorão”

Nessa iluminura de um manuscrito italiano do séc. XIV (possivelmente de Gênova), Virgílio (70-19 a.C.) e Dante (c. 1265-1321) (à esquerda, com uma veste azul) encontram-se no nono abismo do Inferno. Horrorizado, o poeta abre os braços e vê os “semeadores de escândalo e cismáticos”, percorrendo eternamente a vala onde, a cada volta, são cortados ao meio por um diabo com uma enorme espada (à direita). Antes de fecharem suas feridas, na volta seguinte, eles são novamente cortados. Por toda a eternidade. No centro da cena, Maomé, o principal semeador de escândalos, mostra a Dante as suas entranhas, seu “ascoso saco no qual em fezes se torna o que é tragado”. À sua esquerda (direita da cena), está Ali, com o corpo roxo, fendido, caminhando em direção do diabo (Inferno, Canto XXVIII, 22-63). MS. Holkham misc. 48 (Norfolk, Holkham Hall, MS. 514), p. 42″. [por Ricardo da Costa] 
Sidney Silveira
No IX EIEM – Encontro Internacional dos Estudos Medievais, a realizar-se em Cuiabá entre os dias 04 e 07 de julho de 2011, sob coordenação da Associação Brasileira de Estudos Medievais – ABREM, o Prof. Ricardo da Costa, meu querido irmão, apresentará um paper intitulado “Maomé, um enganador que fez um livro chamado ‘Alcorão’: a imagem do Profeta na filosofia de Ramon Llull (1232-1316)“. O título (com uma expressão retirada de uma obra do filósofo catalão) é de arrepiar os delicados e ecumênicos ouvidos dos que hoje propugnam a tese falaciosa de que Lúlio é o pai do chamado “diálogo inter-religioso”. Em muitos casos, trata-se de professores e filósofos financiados com milhões de euros espraiados por institutos na Europa e, também, nos EUA — com testas-de-ferro no Brasil e outros países periféricos. Na prática, estes homens nos brindam com mais um cavalo de Tróia do modernismo católico-liberal: a tentativa de tornar o ecumenismo “acadêmico”, “filosófico” e historicamente defensável. Um absurdo! Tudo a serviço de uma Igreja tão fundamentalmente antiapostólica, como a atual.
Na Apresentação do livro “Raimundo Lúlio e As Cruzadas”, denunciamos quão mentirosa é essa tese, com base nos textos explícitos e inequívocos do próprio autor catalão, o que provocou murmúrios de lulianos no Brasil, alguns inclusive dedicados à detração de pé-de-ouvido deste insignificante escriba, chamado de nomes não muito agradáveis, palavras às quais dou, pessoalmente, a mesma importância que possui o espirro de uma formiga — embora se deva dizer que, na verdade, se trata de formigas desimportantes em si, mas ecumenicamente endinheiradas, o que lhes dá grande escopo de ação e difusão das idéias do neocatolicismo, tão açucarado como uma fruta envenenada.
A seguir, leia-se o abstract desta comunicação do Prof. Ricardo da Costa:
“Resumo: O trabalho analisa como o filósofo Ramon Llull tratou pejorativamente de Maomé (c.570-632) e do Alcorão em seus escritos, apresentando o Profeta como um homem impuro, endemoniado, epilético e enganador, e o Alcorão como uma obra confusa, enganosa e recheada de falsidades e canções luxuriosas. Para tal, valho-me dos tratados O Livro da Intenção (Llibre d’intenció, c. 1274-1283) e a Doctrina pueril (Doutrina para crianças, c. 1274-1276), dedicados ao seu filho Domingos, mas também do Liber de Passagio (O Livro da Passagem, 1292), do Liber de fine (O Livro Derradeiro, 1305) e do Liber de acquisitione Terrae sanctae (Livro sobre a aquisição da Terra Santa, 1309), obras cruzadísticas em que Llull analisou como a Cristandade poderia – e deveria necessariamente – recuperar a Terra Santa e converter os infiéis (muçulmanos); caso contrário, todos prestariam contas no Dia do Juízo Final. Para contextualizar historicamente o pensamento teológico-escatológico do filósofo catalão, apresento um afresco do pintor Giovanni da Modena (c. 1379-1455) e uma iluminura italiana do século XIV, imagens influenciadas pela passagem da Divina Comédia em que Dante (c. 1265-1321) coloca o Profeta Maomé no nono abismo do Inferno, junto com Ali, dilacerado por um demônio, entre os “semeadores de escândalo e cismáticos” (Inferno, Canto XXVIII, 22-63)”.
Lido este resumo do Prof. Ricardo da Costa, vale ainda dizer que, na verdade, Lúlio não faz outra coisa senão repetir o que dizia a Igreja do Islã, assim como os seus grandes Doutores, como Santo Tomás, que, numa famosa passagem Suma Contra os Gentios, afirma com todas as letras que Maomé adulterou o Antigo e o Novo Testamentos, proibiu os seus primeiros seguidores de ler a ambos, fez a sua religião crescer à força da espada e com promessas de prazeres carnais (a história das virgens no céu que serviriam como um harém para os justos era, para o Aquinate, assombrosamente absurda). Tudo bem: viva o Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-Religioso!
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