Queremos o nosso País de volta!


(Apontamentos após assistir ao bate-papo de Lobão com o prof. Olavo de Carvalho.)
“…e como estamos todos na realidade presos pelas potências que de um modo anônimo nos manipulam!” 

Bento XVI, Jesus de Nazaré, v. 1, p. 35


Allan Lopes dos Santos expressou o sentimento que tivemos depois de ouvir o bate-papo de Lobão com o Prof. Olavo de Carvalho: “Queremos o nosso País de volta!” Isso. Foi com o rasgão na carne que Lucién de Rubempré constatou suas ilusões perdidas: “mudamos de latitude, mas as trevas são espessas da mesma forma”. E o seu próprio nome evocava a necessidade de luz, da verdade sempre requerida para dissipar tais trevas. “Luz, luz!”, também pediu Goethe, ao fim da vida. O fato é que a história requer heroísmo, com o qual Perseu enfrentou o olhar da Medusa. E não basta apenas dizer que o rei está nú, mas deve-se cortar os nós górdios dos embustes. A inteligência e a sabedoria são chamadas então por aquela luz sempre libertadora, a luz da verdade.

Ainda conversava com Alex Brum e Luis Augusto Panadés, na tarde de domingo, antes do bate-papo ir ao ar, ao vivo, à noite, dizendo: a nossa geração (dos nascidos entre o final dos anos 60 e 70) ainda não fez história, não resgatou o nosso País, e muitos agora se preparam para se aposentar e dar as costas definitivamente, se dizendo céticos demais, justificando assim a indiferença e a falta mesmo de virilidade de alma. É que muitos tombaram na vida sem viver, e no afã de garantir-se em falsas seguranças, perderam a vida e se perderam no cipoal de enganos. Tornaram-se flácidos e mornos, almas rastejantes e sem brio. E o pior: sem se importar com isso, como se não valesse a pena o vigor da vida. Como bem observou Robert Musil:

“e como a posse de qualidades pressupõe uma certa alegria pela sua realidade, é legitimo prever que alguém a quem falte o sentido de realidade até em relação a si próprio possa um belo dia, sem saber como, encarar-se como um homem sem qualidades.”

Mesmo os que “mandaram bem” com a cultura macunaímica protagonizada por Lula et caterva, aos embalos do “sem medo de ser feliz” do mimado Chico Buarque de Hollanda: sabem que lhes falta esta virilidade, pois são brasileiros murchos, vendidos, traidores da Pátria, que aceitaram todos os pactos faustianos por meros pratos de lentilhas. 
Tejo
“O Tejo não foi apenas um ponto de partida. Nesta memória ainda buscamos a recordação da missão que temos de forjar uma civilização.
Essa gente aceitou o gangsterismo cultural e se tornaram almas mortas, homens sem qualidades, e ganharam notoriedade e dinheiro no período em que tudo fizeram para patrulhar os que realmente pensam este País, e tem amor ao Brasil. Essa gente ocupou postos de decisão em todas as áreas, promovem de modo ardiloso uma revolução com táticas gramscianas para fazer valer um projeto político falido na Rússia e no Leste Europeu; quiseram transportar para cá um modelo social e político de desmonte civilizacional sem precedentes. Acabaram com a literatura brasileira (o que de relevante surgiu no romance deste País após “Grande Sertão e Veredas”, de 1956?). Não há literatura em nosso País há décadas: literatura original, crítica, inclusive que retrate o processo de amebismo cultural vigente por conta do oportunismo e do parasitismo dessa gente que colocou Chico Buarque no pedestal, desde quando o “filhinho do papai” resolveu fazer suas rimas musicais, ou ainda seu romance “Estorvo”, bastante estranho, “povoado de assombro e de solidão”, como afirmou José Cardoso Pires.
Essa gente esquisita, esquizofrênica, psicótica (filhos do Marques de Sade), que não sabe fazer outra coisa senão dar voltas em si mesmo, só falam dos anos 60, das coisas que eles fizeram e que a consciência lhes mostra que fizeram mal, e que agora tentam entender o que fizeram, e mesmo sabendo a que interesses servem, querem tratar de manterem as aparências, enquanto se apagam na solidão, nas drogas e na depressão.

Hélio Bicudo conta como Lula fica facilmente deprimido. “Sim, é tudo muito esquisito”, percebe Lobão, sentindo que chegou a sua hora de – ainda em tempo – ser voz a essa geração acéfala, todos tentando se virar como podem, em meio aos estilhaços e descontinuidades do cotidiano. Até quando eles continuarão a querer cantar “sem medo de ser feliz!“? 

“Céus! A vida é um combate!” Reconheceu Rubempré, ao ser fustigado por Lousteau e toda a corja daqueles que viviam a vida como uma caçoada.
É isso: “queremos o nosso País de volta”, tendo consciência de que para ir “além do Bojador, tem que passar além da dor” (Fernando Pessoa). O Tejo não foi apenas um ponto de partida, mas nesta memória ainda buscamos a recordação da missão que temos de forjar uma civilização. 
O Prof. Olavo de Carvalho foi preciso em dizer: se trata de fazer o movimento da “vergonha na cara” acontecer: ocupar postos, disputar o espaço que eles usurparam, trata-se de estudar, estudar, conhecer a fundo o que fizeram, o estrago que fizeram, e agregar forças, somar esforços, galvanizar o sentido unificador capaz de resgatar o Brasil que tanto amamos. O “Brasil sadio”, amado pela Princesa Isabel. 
A nossa geração ainda pode fazer história. Eu mesmo não estou me preparando para me aposentar, mas fazer viver o jovem de vinte anos que fui, cheio de amor e entusiasmo pelo Brasil, e que depois se viu um intelectual “à margem” do sistema, por não ter convicção daquilo que eles queriam que fizéssemos. E por ter convicção na verdade e no bem, aceitamos percorrer a via estreita, mas estamos vivos e somos jovens, e queremos o nosso País de volta.
Hermes Rodrigues Nery é jornalista, escritor e ghost writer. Autor do romance “O Dilema de Páris” (Edicon, 1996), “Presença de Rachel – conversas informais com Rachel de Queiroz” (Funpec, 2003) e outros. 

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