Os protestantes afirmam que, nos tempos de Lutero, a Igreja vendia aos mais abastados, lugares no Céu.

Cônego José Luiz Villac
Pergunta
“Os protestantes (luteranos) afirmam, em revista, que nos tempos de Lutero a Igreja vendia aos mais abastados lugares no Céu. Acusam-na e as autoridades eclesiásticas da época de serem `camelôs de indulgência’. É justa esta acusação? Como refutá-los?
“É difícil justificar a posiçäo de nossos irmäos separados de que o `Mandamento’ da Igreja foi imposto pelo Divino Mestre só aos Doze Apóstolos e, conseqüentemente, à Igreja. Como convencê-los disso?”
Resposta
Todo pecado acarreta uma dupla conseqüência: uma culpa, que nos afasta da amizade de Deus, e uma pena temporal ou eterna que pune a infraçäo cometida.
O sacramento da Confissäo, ou o arrependimento perfeito,libera a alma daculpa, restabelecendo a amizade com Deus.
Mas nem sempre, ao menos totalmente, libera da pena temporal exigida pela suprema justiça e majestade de Deus e que nós pagaremos aqui nesta Terra ou na outra vida, no Purgatório.
Para remir o pecador dessa pena temporal, no todo ou em parte, a Igreja recebeu de Nosso Senhor Jesus Cristo o poder de utilizar para esse fim os méritos obtidos pela Sua Paixäo, bem como os méritos de Nossa Senhora e de todos os Santos.
Isto se baseia no Poder das Chaves comunicado a Pedro e à Igreja: “Eu te darei as chaves do Reino dos Céus; tudo o que ligares na Terra será ligado nos Céus, e tudo o que desligares na Terra será desligado nos Céus” (Mt 16,19).
É também conseqüência da Comunhäo dos Santos, ou seja, a íntima uniäo que existe entre a Igreja Triunfante (os bem-aventurados no Céu), a Igreja Militante (os que ainda batalhamos nesta Terra) e a Igreja Padecente (as benditas almas do Purgatório).
Conforme ensina Säo Paulo, por misericórdia de Deus todos formamos um sóCorpo Místico, do qual Cristo Nosso Senhor é a cabeça enquanto nós somos os membros. Esse Corpo Místico de Cristo é a Santa Igreja Católica (Cfr. Rm. 12, 4s.; 1 Cor 12, 12-27; Ef 1, 23; 5, 23-29; Col. 1, 18-24; 2, 19 etc.).
Entäo podemos rezar uns pelos outros e participar, através da Igreja, dos méritos do Redentor e dos Santos.
Esta é a base da concessäo pela Igreja das chamadas indulgências.
 Urna de prata que contém os restos mortais do Apóstolo São Tiago, na Basílica de Santiago de Compostela, diante dos quais peregrinos rezam, sendo favorecidos por indulgências.
A indulgência é a remissäo, diante de Deus, da pena temporal devida pelos pecados já perdoados quanto à culpa, remissäo que a autoridade eclesiástica, tomando-a do tesouro da Igreja, concede aos vivos à maneira de absolviçäo, e aos defuntos a modo de sufrágio.
Como se vê, tal doutrina nada tem a ver com a acusaçäo ridícula de que a Igreja “vendia lugares no Céu.
Quanto a terem havido abusos, por parte de pregadores inescrupulosos ou ignorantes, isto pode acontecer com as coisas mais santas neste vale de lágrimas. E a própria Igreja, no Concílio de Trento, condenou toda espécie de abusos ou falsas concepçöes a respeito das indulgências.
Mas os protestantes, a começar por Lutero, serviram-se desses possíveis e esporádicos abusos para combater a própria doutrina das indulgências, ou seja, o poder de a Igreja distribuir e aplicar, por sua autoridade, os méritos adquiridos por Nosso Senhor Jesus Cristo e pelos Santos para mitigar a pena temporal devida por nossos pecados.
Essa prática a Igreja utilizou desde seu início, estando ela ligada a certas formas piedosas de devoçäo: romarias, cruzadas, oraçöes, sacrifícios, esmolas, etc.
A condiçäo básica para receber indulgências, convém lembrar novamente, é estar em estado de graça, na amizade de Deus.
Quanto à negaçäo dos protestantes de que Cristo constituiu um Colégio Apostólico, ao qual conferiu poderes especiais de ensinar, santificar e governar, muito resumidamente pode-se dizer o seguinte:
Os Evangelistas narram a escolha feita por Jesus de 12 entre os discípulos, a quem deu o nome de Apóstolos (Mt 10, 2-4; Mc 3, 13-19; Lc 6, 13,16). Ele os instruiu de maneira particular e os associou à sua obra, mandando-lhes que pregassem o reino de Deus (Mt 10, 5-42; Mc 6, 7-13; Lc 9, 1-6).
 As peregrinações a Santiago de Compostela, na Espanha, cuja majestosa Basílica vê-se na fotografia acima, foram beneficiadas há séculos por indulgências concedidas pela Igreja
O texto mais eloqüente relativo ao Colégio Apostólico (que continua na Igreja através do Papa e dos Bispos, sucessores dos Apóstolos) é talvez o de Säo Mateus, ao fim de seu Evangelho, referido também pelos demais Evangelistas (Mt 28, 16-20; Mc 16, 14-18; Lc 24, 36-49; Jo 20, 19-23):
Os 12 discípulos foram para a Galiléia, para
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