A enfermidade “psíquica” (aegritudo animalis) segundo Santo Tomás

Por Dr. Martín Federico Echavarría 

Universidade de Abat Oliba – CEU, Barcelona (Espanha)

ABSTRACT: In this paper we propose the Thomistic interpretation of psychic disease. Commenting book VII of Aristotle’s Nicomaquean Ethics, Aquinas studies the case of those who feel contranatural pleasures. The causes may be corporal (a bad constitution, a disease) or behavioural. These are called by St. Thomas, animal or psychic diseases, which are disorders of the sensitive part of the human being opposed not only to recta ratio, such as human vices, but also to the natural tendencies of the animal appetite; for this reason they are called beastly or pathological vices. Under this category, Aquinas mentions, for instance, sexual perversions, sadism, some upheavals of the nourishing behaviour and phobias. These trends can be re-educated, and thus it is spoken about them, in an analogical way, of continence and incontinence.

echavarria

Martín F. Echavarría

Não é comum encontrar estudos dedicados à relação entre Santo Tomás e a psicologia contemporânea. Os que existem se referem geralmente à “psicologia experimental”[1] e não à “psicologia clínica” ou à “psicoterapia”[2]. Nossa intenção neste presente trabalho é fazer um primeiro contato sobre a enfermidade psíquica nos textos do Doutor Angélico.

Aqui não trataremos do tema da “enfermidade mental”, que inclui transtornos que são na realidade enfermidades corporais e que, como tais, afetam a alma per accidens[3].

A alma unida ao corpo padece de duas maneiras: de um modo, com paixão[4] corporal; de outro, com paixão psíquica [animal]. Se sofre uma paixão corporal por uma lesão do corpo. Pois, como a alma é forma do corpo, entretanto, é um o ser da alma e do corpo. Por isso, perturbado o corpo por alguma paixão corpórea, é necessário que a alma se veja perturbada per accidens, isto é, enquanto ao ser que possui no corpo[5].

Este tipo de enfermidades constitui uma grande parte das que ocupam a atenção da psicopatologia e psiquiatria atuais[6]. Tampouco trataremos dos vícios propriamente “humanos” – disposições dos apetites até os atos contrários da reta razão -, que se podem chamar, de fato, “enfermidade da alma”, como o próprio Aquinate disse. Nosso interesse se concentrará, por outro lado, num tipo especial de “vício”, que Santo Tomás qualifica de “enfermidade psíquica” (aegritudo animalis), cuja especificidade não foi  na maioria das vezes advertida.

Santo Tomás distingue as enfermidades do corpo e as da almas, e, por sua vez, nestas distingue dois tipos de desordens: contra a razão e contra a natureza.

Deve-se considerar que em cada coisa a perversidade se dá pela corrupção do equilíbrio [temperantia] que lhe é devido. Do mesmo modo, a enfermidade corporal ocorre no homem porque se corrompe a devida harmonia própria deste homem. De modo semelhante, a perversidade do apetite, que as vezes perverte a razão, consiste no que se corrompe a medida das afeições humanas. Tal corrupção não consiste em algo indivisível, mas que possui certa amplitude, como sucede com os humores no corpo humano. Assim, a natureza humana vive do aumento ou diminuição do calor. E de modo semelhante, o equilíbrio [contemperantia] da vida humana vive de acordo com as diversas medidas das afeições.

Deste modo, pode acontecer esta perversidade em consonância com o que foi dito acima, que não saia dos limites da vida humana, e isto se chama incontinência, em sentido absoluto, ou, malícia humana, como uma enfermidade corporal humana, onde preserva-se[7] a natureza humana. Em outro sentido, é possível corromper o equilíbrio dos afetos humanos de modo tal que se avance para fora dos limites da vida humana, até se parecer com os afetos de alguma besta, como o leão ou o porco. E isto é o que se chama bestialidade. E é algo semelhante a si por parte da complexidade corporal que alguém mudasse para até a complexidade leonina ou suína[8].

Temos, assim, por um lado, um gênero de desequilíbrio da alma que não se distancia do todo da disposição própria da natureza humana. Neste nível, encontramos a incontinência e a malícia humanas. Depois, outro gênero de desequilíbrio é o da bestialidade – e, como veremos, das disposições patológicas -, no qual a inclinação esteja de tal modo corrompida que seja inferior ou além da disposição própria da natureza humana.

O princípio desta distinção se encontra em Aristóteles. No livro Ética a Nicômaco, ao tratar sobre as formas de incontinência por semelhança, o Estagirita fala de algumas desordens características (vícios) que, por excesso, irão mais além em certo modo do gênero dos vícios humanos – enquanto a incontinência não chega ao todo, por estar em estado de simples composição. Se trata dos vícios “bestiais”, que possuem às vezes a má constituição como fundamento, e de outros estados mórbidos, causados ou por uma enfermidade corporal, ou por costumes antinaturais que afetaram o desenvolvimento do caráter especialmente durante a infância – como as tendências homossexuais que provém de alguma violação -, ainda que não apenas isso.

Sobre a bestialidade, disse o Filósofo[9]:

Refiro-me, em primeiro lugar, aos hábitos bestiais, como os daquela mulher da qual contam que rasgava o ventre das grávidas para comer os fetos, ou outras coisas que eles gostam, como contam sobre alguns selvagens do Ponto Euxíno, os quais uns comem carne crua, outros carne humana, outros ainda que ofereciam seus filhos para os seus banquetes, ou também, o que se conta de Fálaris. Eis, pois, os exemplos de bestialidades; que em certos casos ocorre por enfermidade ou por loucura, como no caso do que ofereceu sua mãe em sacrifício e a comeu, ou o caso do escravo que comeu o fígado do próprio companheiro[10].

A respeito de outros transtornos, aos quais chama “estados mórbidos”, disse o Estagirita:

Outros estados mórbidos que provém do hábito, tais como arrancar os cabelos, roer as unhas, comer carvão e terra, aos quais há de se adicionar a relação sexual entre os homens. Em alguns isso apresenta-se naturalmente, em outros, por costume, como nos que foram violados desde criancinha.

Aristóteles, pois, assinala duas causas sobre as tendências bestiais e destas outros estados mórbidos ou patológicos: uma corporal (por um defeito constitutivo ou por uma enfermidade corporal) e outra condutiva ou comportamental, como são os costumes antinaturais. O Aquinate explica deste modo:

Ocorre que o que é contrário à natureza do homem, ou enquanto à razão, ou enquanto à conservação do corpo, é feita conatural a este homem particular por alguma corrupção de sua natureza. Esta por provir, ou do corpo, ou seja, por uma enfermidade, como os que têm febre que as coisas doces parecem amargas e vice-versa; ou por uma má constituição, como alguns se alegram em comer terra ou carvões, ou coisas semelhantes. Ou também pode provir da alma, como por meio de hábitos, alguns sentem prazer em comer homens, ou no caso do coito com animais ou com outros homens, e outras coisas do tipo, que não são segundo a natureza do homem[11].

Em outra parte, também comentando a Ética de Aristóteles, Santo Tomás assinala mais particularmente as seguintes três causas da bestialidade:

Afirma que existem três modos pelos quais alguns se fazem bestiais. Primeiramente, é pela convivência social, como nos bárbaros, que não usam de leis racionais, alguns por um mau hábito comum caem na malícia bestial. Segundo, sucede a alguns por enfermidades ou privações, ou seja, pela perda dos entes queridos, caindo assim na demência e se fazem como bestiais. Terceiro, pelo grande aumento da malícia, pela qual convém acusar a alguns chamando-os de bestiais. Porque, assim como a virtude divina se encontra raramente entre os bons, do mesmo modo a bestialidade é rara entre os maus, e parece que há uma correspondência entre os opostos[12].

Temos assim estas três causas: a carência de boas leis, que favorece os costumes perversos; as enfermidades e os grandes “traumas” afetivos (como a perda dos entes queridos) que podem fazer cair na demência e consequentemente em condutas bestiais; o progresso na malícia, que pode levar a limites de enorme antinaturalidade. Entretanto, a malícia humana se opõe à virtude humana, a malícia bestial se opõe a uma virtude mais que humana, a saber, a heroica e divina.Ambas são raras entre os homens e se encontram em opostos extremos[13]. Para o Angélico, o desenvolvimento pleno da virtude supõe a presença dos dons do Espírito Santo.

Santo Tomás, que as vezes chama a todos estes transtornos indistintamente “bestialidade”, designa especialmente aos transtornos com causa comportamental – ou seja “psicógenos” (ex parte animae) – “aegretudo animalis”. “Animal” pode se referir a duas coisas, segundo o uso do Aquinate: ou pertencente a alma (anima); ou ao conhecimento e afetividade interiors, falando assim dos sentidos internos e das paixões que os seguem. Por isso, a expressão “aegretudo animalis” se pode traduzir quase literalmente como “enfermidade psíquica”: um transtorno da vida sensitiva interior e da afetividade com origem anímica, enquanto causado pelos maus costumes. Disso, pois, o Aquinate:

[Aristóteles] dá exemplos do que é prazeroso contra a natureza por costume. E disse que alguns têm prazeres antinaturais por uma enfermidade interior ou corrupção que provém do hábito[14]. Como alguns por costume sentem prazer em arrancar os cabelos, morder as unhas, comer carvão e terra, como também que um homem tenha relações sexuais com outro homem. Todas estas coisas, que são prazerosas contra a natureza, podem ser reduzidas a duas. Em alguns carece a constituição natural de seu corpo, que é genética. Mas a outros, por hábito, como quem se acostumou a isso desde a infância. E estes são semelhantes aos que ocorre por uma enfermidade corporal, pois um costume perverso é como uma enfermidade psíquica[15].

O costume perverso (prava consuetudo) é a disposição produzida por um comportamento repetido contrário à natureza. A este “costume” podemos chamar, em certo modo, “enfermidade psíquica”[16].

Aqui, isto se refere principalmente a estas tendências contra natura, que tem um caráter mais evidentemente mórbido e perverso, mas alguém poderia se perguntar se a qualificação poderia atribuir, ao menos analogicamente, a todas as disposições ao vício que reside na parte sensitiva da alma com as desordens cognitivas conseguintes. O certo é que os transtornos que tratamos aqui merecem mais claramente este nome, enquanto que desordenam as tendências do homem de acordo com sua disposição natural. Estes são os vícios “patológicos”, são “paixões” em sentido próprio, enquanto privam “psíquica” e não “corporal”. Assim disse o Aquinate:

[…] os pecados contra a natureza, […] se chamam paixões, enquanto se cham propriamente paixão o que arrasta a outro para fora da ordem de sua natureza, como quando a água aquece o homem enfermo. Por isso, como por estes pecados o homem se aparta da ordem natural, convenientemente [São Paulo] as chama paixões[17].

Evidentemente, em ambos casos, vício humano e vício patológico, se tratam de desordens contra a natureza, mas de modo diverso. Santo Tomás esclarece ao explicar a distinção entre a luxúria humana e a luxúria contra natura. Ele elucida nesta citação:

Uma coisa pode ser contra a natureza do homem de dois modos. Um, contra a natureza da diferença constitutiva do homem, que é racional; e assim se diz que todo pecado é contrário à natureza do homem, enquanto é contra a reta razão. Por isso disse João Damasceno no livro “A Fé ortodoxa” que o anjo que pecou caiu desde o que é segundo a natureza ao que está fora da natureza. De outro modo, se diz que algo é contra a natureza do homem em razão do gênero, que é animal[18].

Os vícios contra natura são contrários não somente à razão, que é a diferença específica do homem, mas também no que constitui seu gênero, a animalidade. Isto confirma nossa interpretação, segundo a qual, com aegretudo animalis não se significa apenas uma enfermidade da alma, mas que mais precisamente, da dimensão “animal” da alma humana, que é o que hoje se chama muitas vezes “pisque”. Por isso cremos ser conveniente chamar a estas desordens “enfermidade psíquica”.

Na Summa Theologiae, Santo Tomás fala também de uma “insania secundum animam” (insanidade da alma):

“Insanidade quer dizer corrupção da saúde. Como a saúde corporal se corrompe porque o corpo perde o devido equilíbrio da espécie humana, assim também a insanidade da alma existe porque a alma humana se aparta da devida disposição da espécie humana. O que ocorre tanto a respeito da razão, como quando alguém perde o uso da razão, e em razão da força apetitiva, como quando alguém perde o afeto humano, segundo o qual um homem é naturalmente amigo de todo homem, como se disse na Ética[19]”.

Quem perdeu o afeto humano e tem uma agressividade antinatural e sádica (saevitia) contra os outros homens, é um insano de alma, padece uma aegretudo animalis.

Em síntese, em que se diferenciam estas desordens do vício humano? Cremos que o que foi dito até aqui surge que, embora o vício humano é uma inclinação da afetividade contrária à reta razão, no vícios bestiais ou patológicos se dá uma dupla razão de desordem: uma no modo apetitivo (contra a reta razão); e nisso é igual ao vício humano. Outra, na matéria mesma, ou seja, que não correponde a que naturalmente é proporcionada ao apetite do homem, por isso é contra natura. Esta distinção nos parece mais fundamentada que a do uso ou não da razão e do livre arbítrio, porque a experiência mostra que os vícios patológicos são muitas vezes voluntários em si mesmos ou em sua causa.

Por esta razão, ainda que estas disposições antinaturais superam, como dissemos, o que Aristóteles chama de vício humano, isto não quer dizer que as vezes não se possa ter um certo domínio sobre elas, pela qual são reduzíveis, de algum modo, ao gênero dos vícios. Santo Tomás fala assim dos “vícios contra a natureza”. Não se trata aqui do grau de responsabilidade destes hábitos, senão de seu caráter desumano ou antinatural que os põe, por sua malícia ou deformidade, além dos limites do vício comum, que é apenas uma desorem contra a razão que consiste em um exagero (em mais ou menos) de uma tendência natural:

“Ter qualquer destes hábitos está além dos termos do vício [humano], como acontece com a bestialidade. Quer seja dominando ou sendo dominados por eles, não existe neles respectivamente, continência ou incontinência absolutamente falando, mas apenas por semelhança”[20].

Assim, para estes que são simplesmente viciosos dentro dos limites humanos parecem psiquicamente “normais”, e muitas vezes esta normalidade “mínima” é tomada como ponto de referência para os psicoterapeutas. Esta diferença escapou totalmente a Freud, que por isso não pode distinguir a afetividade perversa da normal, senão que as colocou em um contínuo com limites indeterminados.

Estas tendências excessivas a respeito dos vícios se podem dar, disse Santo Tomás, em todos os gêneros de vícios:

“Estes excessos de malícia podem dar-se em todos e em cada um dos vícios opostos às virtudes, como na ignorância, que se opõe à prudência; no temor, que se opõe à fortaleza; na intemperança, que se opõe à temperança; e na crueldade que se opõe à mansidão; e em cada um deles. Algumas são disposições bestiais que dependem de uma má constituição natural, existem outras que são patológicas, por uma enfermidade corporal ou por uma psíquica, que provém de um mau costume”[21].

Entre estas se encontram, por exemplo, as perversões sexuais. Santo Tomás trata deste tema dividindo a luxúria em dois gêneros: luxúria humana e luxúria contra natura. A primeira consiste no ato sexual fora do matrimônio. A segunda, no uso das genitais sem a finalidade da procriação. Assim o disse o Doutor Comum:

É evidente que nos animais, segundo a tendência da natureza, a união dos sexos se ordena ao ato da reprodução, pelo qual todo tipo de união que não se segue de geração é contrário à natureza do homem enquanto animal. Deste modo, disse a Glosa que o uso natural é a união de um homem e uma mulher, e é contra a natureza que um homem se uma a um homem e uma mulher a outra mulher. E a mesma razão serve para todo coito onde não se possa seguir de geração[22].

Estas são as desordens que incluem esta categoria:

De um modo, se sem nenhum tipo de união, a causa do prazer venéreo, se procura a polução: o que corresponde ao pecado de impureza, que alguns chamam brandura [?]. De outro modo, se se faz por união com uma coisa que não é da mesma espécie:chama-se bestialidade. De um terceiro modo, se se faz por união com o sexo no débito, como de um homem com um homem ou de uma mulher com outra mulher, como disse o Apóstolo em Romanos 1: é o que se chama vício sodomítico. Quarto, se não se respeita o modo natural de união: ou porque se usam instrumentos não devidos, ou por outros modos monstruosos e bestiais de união[23].

Também, como já assinalado, pode ter uma disposição patológica de agressividade que corresponde atualmente à psicopatia antissocial, ou ao caráter sádico. Ao tratar sobre o vício da crueldade, oposto à virtude da clemência, Santo Tomás explica a diferença deste sadismo com cólera e a crueldade, deste modo:

À mansidão, que se refere diretamente as iras, se opõem propriamente o vício da cólera, que implica um excesso de ira. Por outro lado, a crueldade comporta no castigo. Por isso disse Sêneca,no livro II sobre a Clemência, que se chamam cruéis os eu têm algum motivo para punir, mas o fazem em modo desmedido. Mas os que sentem prazer nos sofrimentos dos homens ainda sem causa, podem ser chamados violentos ferozes, porque é como se não tivessem uma afetividade humana, pela qual o homem ama o homem[24].

O sádico sente prazer em fazer sofrer o próximo, o qual é contrário à tendência natural segundo a qual cada homem é em princípio, amigo de todo homem (“geralmente, todo homem é amigo naturalmente de todos os homens com certo amor, como disse Si 13, que todo animal ama ao seu semelhante[25]. Santo Tomás põe este vício explicitamente entre todos os bestiais ou patológicos:

Os nomes brutalidade e ferocidade provém de uma semelhança com as feras, que também se dizem brutais. Pois este tipo de animais ferem os homens para alimentar-se de seu corpo, e não por alguma justa causa, cuja consideração corresponde somente à razão. E por isso, propriamente falando, a ferocidade ou a brutalidade se chama assim enquanto alguém na execução dos castigos não considera nenhuma culpa em quem é castigado, senão que apenas se alegra com o sofrimento dos homens. Pelo qual é evidente que está compreendido na bestialidade, pois tal prazer não é humano, senão bestial e provém ou de um mau costume ou da corrupção da natureza, como também as outras afeições bestiais[26].

Um transtorno semelhante se pode encontrar no temor. Corresponde às atuais “fobias”:

Existem aqueles que estão de tal modo disposto que teme a tudo, ainda que seja o som da parede, este é o temeroso ao modo bestial. Alguns, por enfermidade, caíram em tal temor que até temia a uma doninha[27].

Vimos, pois, que o Angélico menciona explicitamente e estas são: a luxúria contra natura, a crueldade patológica, a qual parece corresponder ao sadismo; alguns formas de transtornos na conduta alimentar (como terra e carvão); as fobias[28].

Quando dependem de um transtorno orgânico, estas desordens exigem um tratamento médico em sentido estrito, de ser possível. Em compensação, enquanto causados por uma prava consuetudo, ou domináveis pela razão (muito além de sua causa), estão fora da competência do médico enquanto tal. É possível aprender a controlar estas tendências antinaturais, ou pode-se cair nelas, e por isso alguns podem ser chamados por semelhança “moderado” ou “imoderado” nelas:

Destas propensões antinaturais é possível ter algumas somente esporadicamente, sem estar dominado por elas, como nos disse que Fálaris tivesse refreado seu desejo de comer a um menino ou de entregar-se aos prazeres antinaturais. Nas outras vezes não somente se tem estes desejos, mas que se caem neles[29].

Por isso, dizíamos, são de algum modo redutíveis ao gênero do vício, pois ainda que o “costume” possa adquirir-se durante a infância ou a puberdade, quando a razão e a liberdade não estão plenamente desenvolvidas – é o que ocorre também com os vícios humanos -, sem embargo, são disposições contra a razão e a sensibilidade, que logo podem ser consentidas conscientemente e constituir-se como hábitos – disposições viciadas dificilmente removíveis. Por esta razão, estas tendências não podem ser vencidas com uma simples terapia “comportamental” que não estejam envolvidos a razão e a vontade, e, movendo-se misteriosamente desde o mais profundo, pela graça divina.


[1] Cf. R. E. Brennan, Psicología general, Morata, Madrid 19612; M. Barbado,Estudios de psicología experimental, Consejo Superior de Investigaciones Científicas, Madrid 1946; C. Fabro, La fenomenologia della percezione, Morcelliana, Brescia 19612; Percepción y pensamiento, EUNSA, Pamplona 1978.

[2] No entanto, cf. I. Andereggen – Z. Seligmann, La psicología ante la gracia , EDUCA, Buenos Aires 19992; A. Stagnitta, La fondazione medievale della psicologia. Struttura psicologica dell’etica tomista e modelli scientifici contemporanei.Passioni, frustrazioni e depressione, virtù, Edizioni Studio Domenicano, Bologna 1993; M. Palet Comas, La familia educadora del ser humano, Scire/Balmes, Barcelona 2000; J. Pieper, “Sachlichkeit und Klugheit. Über das Verhältnis von moderner Charakterologie und thomistischer Ethik”, en Der katholische Gedanke(1932) 68-81.

[3] NdT: Ou seja acidentalmente.

[4] NdT: As paixões são movimentos do apetite irracional, sendo boas ou más enquanto dependem do império da razão ou deste é emancipada., ou seja, em si mesmas, não são boas nem más (ver Suma Teológica, I-II, Q. 22-48).

[5] Summa Theologiae III q. 15 a. 4 in c: “Animam in corpore constitutam contingit pati dupliciter: uno modo, passione corporali; alio modo, passione animali. Passione quidem corporali patitur per corporis laesionem. Cum enim anima sit forma corporis: et ideo, corpore perturbato per aliquam corpoream passionem, necesse est quod anima per accidens perturbetur, scilicet quantum ad esse quod habet in corpore.” Cf. M. E. Sacchi, “El sujeto de la psiquiatría”, enSapientia 50 (1995) 378-379: “A respeito do que pode sofrer o homem, seu padecimento implica vulneração de sua saúde corpórea. A enfermidade, em si mesma, é um movimento pelo qual o sujeito perde uma disposição natural do composto hilemórfico cujo o corpo é informado pela alma intelectiva, que somente per accidens é afetada por esse movimento, por outro lado, o corpo, porém, é afetado per se. […] Sendo o composto o sujeito da enfermidade, o homem não padece alterações em sua saúde em razão da alma em si mesma. Ao ser a alma essencialmente impassível, o ente humano enferma-se em razão de seu componente material: o corpo.” Mas não nos esqueçamos que, segundo o texto que acaba de ser citado, além da paixão “corporal” está a paixão “animal”.

[6] Cf. E. Krapf, Tomás de Aquino y la psicopatología . Contribución al conocimiento de la psiquiatría medieval, Index, Buenos Aires 1943; G. Roth, “Thomanische Leitsätze als Konstituierende Elemente der Pastoralmedizin”, en Atti del IX Congresso Tomistico Internazionale, Libreria Editrice Vaticana, Ciudad del Vaticano 1991, vol. 5, 404-412; “Amentia ex aegritudinibus cerebralibus. Psychopathologia in doctrina sancti Thomae et psychiatria biologica contemporanea”, Atti SITA, Roma 1986, 597-604.

[7] NdT.: Se no texto original se usa o termo “salvar”, não há relação alguma com soteriologia, i. é, sobre a salvação da alma humana, mas é usado no sentido de preservação, da mesma maneira que no latim escolástico se usa algumas vezes a palavra salvar no sentido de preservar, como se verá a seguir; Entretanto, isso não pode ocorrer na língua portuguesa.

[8] In VII Ethicorum, l. I, nn. 1295-1296: “Est autem considerandum, quod perversitas in unaquaque re contingit ex eo quod corrumpitur temperantia debita illius rei. Sicut aegritudo corporalis in homine provenit ex eo quod corrumpitur humorum debita proportio huic homini. Et similiter perversitas appetitus, qui interdum rationem pervertit, in hoc consistit quod corrumpitur commensuratio affectionum humanarum. Talis autem corruptio non consistit in indivisibili, sed habet latitudinem quamdam, ut patet de temperantia humorum in corpore humano. Salvatur enim natura humana cum maiori vel minori caliditate. Et similiter contemperantia vitae humanae salvatur secundum diversas mensuras affectionum.

Uno igitur modo potest contingere perversitas in tali consonantia, ita quod non exeatur extra limites humanae vitae: et tunc dicetur simpliciter incontinentia vel malitia humana , sicut aegritudo humana corporalis, in qua salvari potest natura humana. Alio modo potest corrumpi contemperantia humanarum affectionum, ita quod progrediatur ultra limites humanae vitae in similitudinem affectionum alicuius bestiae, puta leonis aut porci. Et hoc est quod vocatur bestialitas. Et est simile, sicut si ex parte corporis complexio alicuius mutaretur in complexionem leoninam vel porcinam.”

[9] NdT.: Assim costumava chamar Santo Tomás à Aristóteles, o Filósofo.

[10] Aristóteles, Ética Nicomaquea, L. VII, c. 5, 1148 b 19-27. Cf. In VII Ethicorum, l.5, n.1372-1373: “Manifiesta por ejemplo las diferencias en los deleites antinaturales. Y primero, de los que son placenteros por una nociva naturaleza de los hombres que son como bestiales, porque por la corrupción de la complexión se asimilan a las bestias. Como se decía de alguien que abría los vientres de las mujeres embarazadas, para devorar a los niños en gestación. Y es semejante si alguno se goza en esas cosas en que lo hacen ciertos salvajes, que viven solitarios en la selva cerca del Mar Ponto. Algunos de los cuales comen carnes crudas, y otros carne humana, y otros se ofrecen entre sí sus hijos para celebrar banquetes. Y cosas parecidas se dicen sobre Fálaris, un crudelísimo tirano, que se deleitaba en los sufrimientos de los hombres. Los que se deleitan en estas cosas son casi semejantes a las bestias.

Después pone el ejemplo de lo antinatural que se hace deleitable por algunas enfermedades, como por la manía, o por la furia, o algo por el estilo. Como se dice de uno que caído en la manía sacrificó a su madre y se la comió, y el esclavo que mató a su compañero y se comió su hígado.”

[11] Summa Theologiae I-II q. 32 a. 7 in c: “Ita igitur contingit quod id quod est contra naturam hominis, vel quantum ad rationem, vel quantum ad corporis conservationem, fiat huic homini connaturale, propter aliquam corruptionem naturae in eo existentem. Quae quidem corruptio potest esse vel ex parte corporis, sive ex aegritudine, sicut febricitantibus dulcia videntur amara et e converso; sive propter malam complexionem, sicut aliqui delectantur in comestione terrae vel carbonum, vel aliquorum huiusmodi: vel etiam ex parte animae, sicut propter consuetudinem aliqui delectantur in comedendo homines, vel in coitu bestiarum aut masculorum, aut aliorum huiusmodi, quae non sunt secundum naturam humanam.”

[12] In VII Ethicorum, l. I, n. 1303: “Et ponit tres modos secundum quos aliqui fiunt bestiales. Quorum primusest ex conversatione gentis, sicut apud barbaros qui rationalibus legibus non utuntur, propter malam communem consuetudinem aliqui incidunt in malitiam bestialem. Secundo contingit aliquibus propter aegritudines et orbitates, idest amissiones carorum, ex quibus in amentiam incidunt et quasi bestiales fiunt. Tertio propter magnum augmentum malitiae, ex qua contingit quod quosdam superexcellenter diffamamus dicentes eos bestiales. Quia, sicut virtus divina raro in bonis invenitur, ita bestialitas raro in malis: videntur sibi per oppositum respondere.”

[13] Cf. Aristóteles, Gran Ética, l. II, c. 5, 1200 b 9-19: “A bestialidade é uma espécie de vício excessivo. Assim, quando vemos alguém totalmente viciado, dizemos que ele não é sequer um homem, senão uma besta, enquanto esta é uma espécie de vício de bestialidade. A virtude oposta a ela não tem nome próprio, senão que é uma virtude de tipo superior ao homem, por exemplo heroica ou divina. Mas não tem nome próprio, porque a virtude não pertence a Deus. Deste modo, Deus é superior à virtude e não é bom de maneira virtuosa; se fosse, a virtude seria algo superior a Deus. Por isso a virtude que se opõe ao vício da bestialidade não tem nome. Mas o que geralmente se usa para contrapor a ela é a virtude divina ou sobrenatural; com efeito, como o vício da bestialidade supera o homem, assim também ocorre com a virtude que lhe é contrária.”

[14] NdT.: Algumas vezes usamos a palavra costume, outras, hábito, porém o sentido é o mesmo, ou seja, uma ação repetida muitas vezes.

[15] In VII Ethicorum, l.5, n. 1374: “Exemplificat de his quae fiunt contra naturam delectabilia ex consuetudine. Et dicit, quod quibusdam accidunt innaturales delectationes propter interiorem aegritudinem vel corruptionem provenientem ex consuetudine. Sicut quidam propter consuetudinem delectantur evellere sibi pilos, et corrodere ungues, et comedere carbones et terram, nec non et uti coitu masculorum. Omnia autem praedicta, quae sunt contra natura delectabilia, possunt reduci ad duoQuibusdam enim accidit ex natura corporalis complexionis, quam acceperunt a principio. Quibusdamvero accidunt ex consuetudine, puta quia consueverunt ad huiusmodi a pueritia. Et simile est de his qui in hoc incidunt ex aegritudine corporali. Nam prava consuetudo est quasi quaedam aegritudo animalis.”

[16] Mais adiante, Santo Tomás volta a usar este qualificativo, cf. ibidemn. 1379.: “quaedam enim sunt sunt dispositiones bestiales propter perniciosam naturam, quaedam vero aegritudinales quae sunt propter aegritudinem corporalem vel animalem quae est ex mala consuetudine.”

[17] Super ad Romanos, c. I, l. VIII, n. 147: “[…] peccata contra naturam, […] dicuntur passiones, secundum quod proprie passio dicitur ex eo quod aliud trahitur extra ordinem suae naturae, puta cum aqua calefacit aut cum homo infirmatur. Unde quia per huiusmodi peccata homo recedit ab ordine naturali, convenienter dicuntur passiones”.

[18] Super ad Romanos, c. 1, n. 149: “Est autem considerandum quod dupliciter est aliquid contra naturam hominis. Uno modo, contra naturam differentiae constitutivae hominis, inquantum est rationale; et sic omne peccatum dicitur esse contra naturam hominis, inquantum est contra rationem rectam. Unde et Damascenus dicit in II lib. quod angelus peccans versus est ex eo quod est secundum naturam in id quod est praeter naturam. Alio modo dicitur esse aliquid contra naturam hominis ratione generis, quod est animal.”

[19] Summa Theologiae II-II q. 157 a. 4 ad 3: “Insania dicitur per corruptionem sanitatis. Sicut autem sanitas corporalis corrumpitur per hoc quod corpus recedit a debita complexione humanae speciei, ita etiam insania secundum animam accipitur per hoc quod anima humana recedit a debita dispositione humanae speciei. Quod quidem contingit et secundum rationem, puta cum aliquis usum rationis amittit: et quantum ad vim appetitivam, puta cum aliquis amittit affectum humanum, secundum quem homo naturaliter est omni homini amicus, ut dicitur in VIII Ethic.

[20] Aristóteles, Ética Nicomaquea, L. VII, c. 5, 1148 b 34, 1149 a 3.

[21] In VII Ethicorum, l. 5, n. 1379: “Huiusmodi excessus malitiae potest esse circa vitia omnibus virtutibus opposita, sicut circa insipientiam quae opponitur prudentiae, circa timiditatem quae opponitur fortitudini, circa intemperantiam quae oponitur temperantiae, et circa crudelitatem quae opponitur mansuetudini et circa singula eorum: quaedam enim sunt dispositiones bestiales propter perniciosam naturam, quaedam vero aegritudinales quae sunt propter aegritudinem corporalem vel animalem quae est ex mala consuetudine.”

[22] Super ad Romanos, c. 1, n. 149: “Manifestum est autem quod, secundum naturae intentionem, conmixtio sexuum in animalibus ordinatur ad actum generationem, unde omnis commixtionis modus, ex quo generatio sequi non potest, est contra naturam hominis in quantum est animal. Et secundum hoc dicitur in Glossa naturalis usus est vir et mulier in uno concubito coeant, contra naturam vero ut masculus masculum polluat et mulier mulierem. Et eadem ratio est de omni actu coitus ex quo generatio sequi non potest.”

[23] Summa Theologiae II-II q. 154 a. 11 in c: “Uno quidem modo, si absque omni concubitu, causa delectationis venereae, pollutio procuretur: quod pertinet ad peccatum immunditiae, quam quidam mollitiemvocant. Alio modo, si fiat per concubitum ad rem non eiusdem speciei: quod vocatur bestialitas. Tertio modo, si fiat per concubitum ad non debitum sexum, puta masculi ad masculum vel feminae ad feminam, ut Apostolum dicit, ad Rom. 1: quod dicitur sodomiticum vitium. Quarto, si non servetur naturalis modus concubendi: aut quantum ad instrumentum non debitum; aut quantum ad alios monstruosos et bestiales concubendi modos.” Confrontar com a seguinte definição e divisão psiconalítica da perversão sexual (J. Laplanche – J. B. Pontalis, Diccionario de psicoanálisis, Barcelona 1981, 272): “Perversão: Desvio sobre o ato sexual “normal”, definido como coito dirigido a obter o orgasmo por penetração genital, com uma pessoa do sexo oposto. Há  perversão quando: o orgasmo se obtém com outros objetos sexuais (homossexualidade, pedofilia, bestialidade e etc.) ou por meio de outras zonas corporais (por exemplo, coito anal), quando o orgasmo se subordina imperiosamente a certas condições extrínsecas (fetichismo, travestismo, voyeurismo e exibicionismo, sadomasoquismo); estas podem inclusive proporcionar por si sós o prazer sexual”.

[24] Summa Theologiae II-II q. 157 a. 1 ad 3: “Mansuetudini, quae est directe circa iras, proprie opponitur vitium iracundiae, quod importat excessum in puniendo.Unde dicit Seneca, in II de Clem., quod crudeles vocantur qui puniendi causam habent, modum non habent. Qui autem in poenis hominum propter se delectantur, etiam sine causa, possunt dici saevivel feri, quasi affectum humanum non habentes, ex quo naturaliter homo diligit hominem.”

[25] Cf. Summa Theologiae II-II q. 115 a. 1 ad 2: “Omnis homo naturaliter omni homini est amicus quodam generale amore: sicut etiam dicitur Eccli. 13, quodomne animal diligit simile sibi.”

[26] Summa Theologiae II-II q. 160 a. 2 in c: “Nomen saevitiaeet feritatis a similitudine ferarum accipitur, quae etiam saevae dicuntur. Huiusmodi etiam animalia nocent hominibus ut ex eorum corporum pascantur: non ex aliqua iustitiae causa, cuius consideratio pertinet ad solam rationem. Et ideo, proprie loquendo, feritas vel saevitia dicitur secundum quam aliquis in poenis inferendis non considerat aliquam culpam eius qui punitur, sed solum hoc quod delectatur in hominum cruciatu. Et sic patet quod continetur sub bestialitate: nam talis delectatio non est humana, sed bestialis, proveniens vel ex mala consuetudine vel ex corruptione naturae, sicut et aliae huiusmodi bestiales affectiones.”

[27] In VII Ethicorum, l. 5, n. 1380. Em seguida fala dos que se comportam contra a prudência de modo bestial; ibidem n. 1381: “Disse que alguns são naturalmente irracionais, não porque não tenham a razão, mas porque têm muito pouco uso dela, e sobre os singulares que apreendem por meio dos sentidos. E tai, são como bestas por natureza. O que sobretudo ocorre em alguns bárbaros que habitam em partes recônditas do mundo. Onde, pela baixa qualidade do ar os corpos têm uma má constituição, por isso que neles se impede o uso da razão. Mas alguns se fizeram irracionais por algumas enfermidades, como a epilepsia e a mania. E estes são patologicamente ignorantes.”

[28] Poderíamos nos perguntar se desordens como a bulimia (atração voraz seguida de vômito procurado) e a anorexia (uma espécie de abstinência patológica que conduz a perda da saúde física) poderiam incluir nesta espécie de vício patológico. Santo Tomás não fala sobre. Entretando, cf. In III Ethicorum, l. 20, n. 623: “Et ideo tales dicuntur gastrimargii, a gastir quod est venter et margesquod est furor vel insania, quasi furor vel insania ventris, quia scilicet impleant naturam praeter indigentiam: et tales sunt aliqui qui sunt multum bestiales, quia videlicet ad hoc solum adhibent curam ut ventrem impleant absque discretionem, sicut et bestiae”. Além disso, Summa Theologiae II-II q. 148 a. 6 ad 2: “Licet utilis sit vomitus post superfluam comestionem, tamen vitiosus est quod aliquis huic necessitati se subdat per immoderantiam cibi vel potus. Potest tamen absque culpa vomitus procurari ex consilio medicinae in remedium alicuius languoris”. Também poderíamos perguntar sobre transtornos como o tabagismo e a dependência química de drogas, mas mais uma vez estaríamos distante da letra do Aquinate.

[29] Aristóteles, Ética Nicomaquea, L. VII, c. 5, 1149 a 12-16. Se se trata de continência e incontinência por semelhança, por que a continência e a incontinência propriamente ditas possuem por objeto os gozos do tato em harmonia com a natureza do homem. Também por semelhança se fala de continência e incontinência a respeito de outros atos de vício que não comunicam com a a continência propriamente dito no objeto ou matéria, mas somente no modo (o conter o apetite), como na ira. Em síntese, a continência e a incontinência pertencem ao âmbito da virtude da temperança e do vício da intemperança.

PARA CITAR ESTA TRADUÇÃO:

Martín Federico Echavarría, “A enfermidade “psíquica” (aegritudo animalis) segundo Santo Tomás”, 2013, trad. br. por Allan L. Dos Santos, Ferndale, MI, EUA, set. 2013, http://wp.me/p3Vl16-5t

de: “La enfermedad “psíquica” (aegritudo animalis) según Santo Tomás”, 25 setembro de 2013, “http://www.rudolfallers.info/echavarria2.html”.

CRÍTICAS E CORREÇÕES SÃO BEM-VINDAS:

allan.santosbr@gmail.com

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