INTERPRETAÇÃO DA SAGRADA ESCRITURA

Deve-se dizer que, na perspectiva católica, NENHUM FIEL tem luzes espirituais para interpretar a Sagrada Escritura. A interpretação é prerrogativa exclusivíssima do Magistério da Igreja, carisma participado por Cristo ao Papa e aos Bispos para que mantenham íntegro o fiel depósito até o final dos tempos. Só eles podem interpretar e ensinar as verdades de fé porque são detentores deste indelével selo carismático garantidor da unidade doutrinária no decorrer dos tempos. Sim, não se espantem: os textos bíblicos não são mitos simbólicos ou poéticos, não obstante possuam rico conteúdo simbólico e elevada poesia, mas perfazem uma doutrina que contém proposições adequadas ao humano modo de conhecer. Porém com um detalhe nada desprezível — a suprema autoridade magisterial (e portanto hermenêutica) é virtude conferida por Cristo à Hierarquia do Corpo Místico da Igreja, e não aos simples fiéis, sejam quem forem.
O Magistério é a única regra próxima da fé. Nem mesmo os grandes teólogos — e Santo Tomas foi o maior deles — têm autoridade para interpretar o inesgotável conteúdo espiritual dos textos bíblicos. A ciência teológica contribui de maneira auxiliar e, ademais, as suas conclusões precisam ser ratificadas exatamente pelo Magistério. Os teólogos são, na melhor das hipóteses, mestres auxiliares. Se houver divergências entre eles e o Magistério, o católico sabe que deve ficar com este último. 
Não somos protestantes. Portanto, NÃO INTERPRETEMOS a Sagrada Escritura! Se houver dúvida quanto a um ponto aparentemente obscuro, cabe ao fiel procurar a interpretação dada pelo Magistério, tanto ordinário quanto extraordinário. Depois, ver o que disseram os Santos Doutores. Por fim, consultar os grandes teólogos. Nesta ordem. Sem esquecermos que o Código de Direito Canônico também traz a resolução de algumas dúvidas relevantes… E ainda há o Catecismo. Deus do céu! 
A anuência que o fiel católico dá à Sagrada Escritura não é fruto de sua capacidade interpretativa, mas da “lumen fidei”, ou seja: a luz da fé (virtude teologal infusa) é o que abre a alma do fiel a dizer “sim” aos textos sagrados e aos seus intérpretes abalizados, ou seja, o Magistério mesmo. A fé não é uma conquista árdua da razão, mas um presente de Deus, daí ser infundida na alma do fiel. Por isto Santo Tomás afirma que uma simplória velhinha com fé sabe, num certo sentido, mais que Aristóteles.
Soube do texto do Sr. Júlio Severo sobre a Inquisição. Meu conselho aos amigos católicos é muito simples: este cidadão não tem nada a ensinar a vocês — a propósito, não é bom manter ecumênicos contatos com pessoas dessas agremiações que de cristãs usurpam o nome.
Se a Igreja não tem absolutamente nada a aprender de Nicodemos, muito menos terá a aprender com Henrique VIII, Lutero, Calvino, Maomé ou, contemporaneamente, Silas Malafaia e similares.
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