Uma revolução igualitária movida pela inveja

Dr. Plínio Correa de Oliveira
Revolução Francesa! O tema ocupou as páginas de nossa revista, ininterruptamente de maio a dezembro de 1989, e em fevereiro do presente ano, a propósito das comemorações do bicentenário daquele trágico evento. Fatos diversos e centrais do período revolucionário (1789-1815) foram aqui lembrados, bem como noticiadas as comemorações realizadas no ano passado, sobretudo na França.

Hoje, apresentamos aos leitores uma análise do que foi o espírito da Revolução Francesa, e do modo pelo qual foi ela discutida desde seu desencadear até nossos dias.
O presente trabalho — o qual nos desvenda, em profundidade, o motor da Revolução Francesa — é o resultado de anotações extraídas de uma penetrante conferência do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, proferida para sócios e cooperadores da TFP, em 23 de agosto do ano passado.
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Nas reações do público — notadamente o francês — a propósito das comemorações do bicentenário, pode-se notar um tom geral a respeito da Revolução Francesa, definidamente discrepante daquilo que se poderia considerar, até há pouco, como sendo o pseudo-tom geral; ou seja, um tom oficial que procurava impor-se a todo o mundo, e que se apresentava como aceito por todos.
Ora, nas matérias sobre a Revolução Francesa publicadas por nossa revista ao longo destes meses, alguns leitores pouco familiarizados com o nosso pensamento, talvez tenham tido uma surpresa.
“Então, ‘Catolicismo’ não é incondicional a favor da Revolução Francesa? Bem, é possível, contra a Revolução, alegar crimes, desastres, ações infames; mas tudo isso não será secundário em relação ao grande roteiro central ideológico da Revolução, roteiro que é uma maravilha? Ou seja, a Revolução não trouxe consigo uma concepção do mundo, do homem, das coisas, do Estado, da sociedade civil, da economia, da arte, da cultura, que é uma concepção una e magnífica, que renovou o mundo e o colocou nas vias em que ele se encontra?”
De fato, respondemos nós, a Revolução trouxe consigo uma concepção una, pior do que todos os crimes que ela cometeu. Concepção que é a causa de todos os desastres diante dos quais nós nos encontramos. É o tema deste artigo.
Calúnia que se desfaz
“Se o povo não tem pão que coma brioches”. Esta frase atribuída à rainha Maria Antonieta de França, correu o mundo e passou para a História, ao menos para a que é apresentada por alguns historiadores. Mostraria bem o desprezo com que no final do Antigo Regime, a soberana francesa considerava a triste situação do pobre povo faminto. Ou pelo menos seria indicativa de quão alheia estava a rainha às necessidades desse mesmo povo, a ponto de ignorar que a brioche — feita de trigo, manteiga e ovos — seria ainda mais dificilmente obtida pelos famintos do que o simples pão.
Tal frase foi um dos ingredientes apimentados da legenda negra, que se procurou tecer em torno da desditada rainha, barbaramente guilhotinada pela Revolução Francesa, em 1793.
Mais recentemente, porém, a biblioteca do Congresso dos Estados Unidos publicou um livro — “Respectfully Quoted” (Respeitosamente citados) — que coleciona citações erroneamente atribuídas a personalidades célebres. Nele se demonstra que o dito atribuído a Maria Antonieta de fato foi cunhado décadas antes por uma esquecida dama da corte francesa…
Ó Revolução, como mentes! Como calunias!
A Revolução questionada na França
É muito mais fácil manter uma visão otimista e glorificante da Revolução  Francesa, fora e longe da França, que dentro dela. Porque sobre o solo francês  ainda permanecem, por assim dizer, as torrentes de sangue derramadas pela Revolução. Nos ecos da vida francesa ainda como que se ouvem os gemidos, os bramidos, as aclamações, as exclamações, os protestos, os argumentos de gerações inteiras que se tem sucedido na Franca, discutindo a Revolução.
De modo que, para os franceses é muito mais concebível a Revolução ser discutida e atacada, do que para populações de países distantes, onde ela pode ser apresentada folcloricamente como um acontecimento triunfal, à maneira de um bolo de noiva, todo branco.
A globalidade do povo francês apresenta uma atitude muito mais questionante em face da Revolução, do que por exemplo o público brasileiro, ou de qualquer outra parte da Terra.
Como o mundo lucraria em perceber que dentro da França se acredita menos no mito da Revolução, do que se acredita fora da França! E compreender assim a grande artimanha levada a cabo por gerações de revolucionários, para arrastar o mundo — sem análise, curvado diante do fato consumado — a uma aceitação vil da Revolução Francesa. Aceitação sem discernimento, sem inteligência e sem coragem.
Na discussão que vem se desenvolvendo na França a respeito da Revolução de 1789, podemos distinguir duas etapas. A primeira vai até fins do século passado, quando começou a ser posta em prática uma aliás controvertidíssima política de aproximação dos católicos com a democracia moderna, conhecida como “Ralliement”.
Até o “Ralliement”, a idéia era de que altar e trono constituíam duas vítimas da Revolução, solidárias porque a Revolução as odiava de um mesmo ódio e queria afogá-las num mesmo sangue. De fato, a Revolução igualitária de 1789 desencadeou simultaneamente uma perseguição anti-religiosa e anticlerical e outra antimonárquica e antinobiliárquica. E por detrás dessa dupla perseguição, havia um único pensamento, que os revolucionários desejavam impor como molde para as idéias, para a ação e para a estruturação do mundo inteiro.
Tal pensamento falso baseava-se no seguinte princípio metafísico: a desigualdade faz sofrer aqueles que estão embaixo. É sempre penoso para o amor-próprio humano ter superior. E por causa disso, as organizações anti­igualitárias, hierárquicas de qualquer ordem, seriam odiosas. Por exemplo, adotada a ótica revolucionária, torna-se explicável que um trabalhador manual lamente não ser burguês; que um burguês lamente não ser nobre; que um nobre lamente não ser príncipe; e um príncipe lamente não ser rei. A natureza humana seria hostil à idéia de ter um superior, e por causa disso a estrutura hierárquica faria sofrer os homens.
Uma mentira da Revolução: a cascata de desprezos
Segundo a expressão do Abbé Sieyès — um dos fundadores do clube dos jacobinos, o mais radicalmente revolucionário — a sociedade hierárquica anterior à Revolução Francesa constituía uma cascata de desprezos. Quer dizer, no alto da cascata o rei jorrava o seu desprezo sobre os príncipes da casa real; os príncipes da casa real o descontavam jorrando seu desprezo sobre os nobres; os nobres hierarquizados prolongavam essa cascata de desprezos: o duque desprezava o marquês, o marquês desprezava o conde, o conde desprezava o visconde, o visconde desprezava o barão, e o barão desprezava o resto da França!
Chegadas a esse ponto — sempre segundo a idéia do Abbé Síeyès —, as águas do desprezo ainda não se detinham! No alto da burguesia — classe que vem depois da nobreza — temos as finanças, os altos titulares de cargos públicos, os grandes proprietários rurais, urbanos, etc., todos ganhando muito dinheiro. Esses eram desprezados pelo simples barão, mas por sua vez desprezavam o homem que tem uma fortuna média, o qual desprezava o homem com pequeno patrimônio. O homem com pequeno patrimônio desprezava o proletário. Mas, por sua vez, dentro do proletariado podiam-se distinguir duas camadas: os artesãos mais qualificados ou menos qualificados, que ganham mais ou que ganham menos.
Mais uma vez a cascata de desprezos se precipitaria sobre a última classe dos homens, até estalar com toda a força de águas caídas tão do alto sobre os pobres coitados: os mendigos, os desvalidos, os radicalmente pobres, dignos eles sim de toda a compaixão humana.
Mas se isto é assim, é natural que também seja vista como uma cascata de desprezos a hierarquia da Igreja Católica. Então, de Papa para Cardeais, de Cardeais para Arcebispos, de Arcebispos para Bispos, de Bispos para Monsenhores, de Monsenhores para Cônegos, de Cônegos para simples padres, a cascata de desprezos castiga! E depois cai com todo o vigor sobre a plebe eclesiástica, que são os leigos.
Essa cascata de desprezos existiria porque a sociedade estava baseada na desigualdade.
Então, segundo essa visão deturpada dos fatos, era preciso fazer uma Revolução a partir da idéia de que toda a desigualdade é um mal e um roubo, e estabelecer de fato no mundo a igualdade completa.
Era essa a sede do homem revolucionário, afinal liberto de superioridades, de obediências, de autoridades… Essa idéia tem qualquer coisa do absoluto, do frenesi categórico de quem procura a possibilidade do seu defeito se satisfazer inteiramente, absolutamente, no extremo.
Por detrás do igualitarismo, a inveja
O defeito, no caso, é a inveja. Ou seja, toda a ralé moral dos invejosos, dos que não admitem que outrem tenha mais ou seja mais, daqueles a quem dói que alguém seja mais do que eles — ainda que seja mais inteligente, ou então fisicamente mais forte — toda esta ralé moral encontra neste mito da igualdade uma espécie de abolição do sofrimento que lhe trazem suas más inclinações. Assim como suprime sua sede quem bebe água, assim também suprimiria a tortura invejosa dessa desigualdade quem bebesse as águas da igualdade.
A aceitar tal posição, o grande primeiro revolucionário foi Lúcifer, que se doeu diante da suprema desigualdade de Deus, e quis estabelecer a igualdade no Céu. Nessa perspectiva, a primeira Revolução não foi a francesa nem sequer foi humana: foi angélica. E povoou o inferno! É a conclusão inevitável.
A inveja, como os demais vícios, tem qualquer coisa de insaciável. E quando se encontra afinal atendida, ela provoca esgares de contentamento. contorções de alegria, de que o homem poucas vezes tem noção, porque há um certo pudor do invejoso em declarar-se inteiramente invejoso. Para fazer tal declaração, ele teria de reconhecer sobre si uma superioridade. E já isso ele não quer.
Mas, em geral, as paixões humanas desordenadas tendem para um certo paroxismo, um certo frenesi, no qual os homens imaginam encontrar uma delícia. A embriaguez, por exemplo, é assim. O bêbado bebe, bebe, bebe, e é experimentando a náusea, praticando atitudes ridículas como jogar-se no chão, é nesse horror que ele encontra um estado de plena satisfação do seu desejo do álcool. Os efeitos do álcool são para ele como que um falso céu — o céu do inferno, se quiserem. Mas são para ele um falso céu.
Um frenesi desse tipo, o contra-ideal da igualdade produz em todos os invejosos do mundo. Esse desejo frenético da igualdade, existente nos invejosos, é semelhante à vontade do bêbado de ingerir álcool, ou do drogado de tomar a droga, ou do homem sensual de praticar a impureza. São coisas do mesmo gênero.
É uma apetência subconsciente, ou conforme o caso consciente, desse estado de plenitude exasperada, de plenitude furibunda da satisfação da inveja: nisto consiste o motor do espírito revolucionário.
Os dois partidos
E a Revolução Francesa só matou, só queimou, só incendiou, só profanou, só blasfemou, só praticou todos os horrores que fez, porque o revolucionário sentia nisso o gozo que Satanás imaginava ter, se com a sua revolução angélica pudesse derrubar a Deus. Então, dentro do seu delírio psicótico, ele teria querido calcar Deus aos pés. E é só no momento em que, se possível fosse, Satanás sentisse que debaixo de seus pés imundos — antropomorficamente falando — se contorcia e morria a Verdade absoluta, o Bem absoluto, o Belo absoluto, é que ele teria dado a gargalhada que seria o gozo frenético de sua vida: “Ah, ah!! Morreu afinal aquele que era mais do que eu!”
Esse estado de espírito diabólico é tão real que, bons teólogos o afirmam, se fosse dado ao demônio sair do inferno, ir para o Céu, pedir perdão por seus pecados, e reintegrar-se no Céu, na felicidade eterna, ele não quereria!
O demônio é apresentado acorrentado no inferno, e é verdade, mas apenas num sentido da palavra. Porque se lhe oferecessem o Céu, ele não o desejaria. Ele não quer contemplar a Deus no seu verum absoluto, no seu bonum absoluto, no seu pulchrum absoluto, porque isto é mais do que ele. E ele prefere ser um revoltado, eternamente desgraçado, mas blasfemando sempre, do que calcar em si seus sentimentos de inveja e penetrar na felicidade eterna.
Para compreendermos o fio condutor da Revolução Francesa — vinda ela mesma do Protestantismo, Humanismo, Renascença, como largamente se demonstra no livro “Revolução e Contra-Revolução” — é preciso compreender esta sede ilimitada de igualdade absoluta, que é o motor da Revolução universal, e que a levou por estas e aquelas maneiras a produzir estas e aquelas convulsões. E a chegar, portanto, aos extremos que nós conhecemos, documentados em artigos anteriores de “Catolicismo”.
Então, se a pergunta é: Você é a favor ou contra a Revolução Francesa? A resposta deve ser: — Você é do partido da inveja ou do partido da hierarquia? Hierarquia ordenada, hierarquia harmônica, hierarquia magnífica, mas hierarquia, e que não seria ordem nem seria harmonia, nem teria magnificência, se não fosse hierarquia. Esta é a verdadeira pergunta de fundo.
Após o “Ralliement”, o esquecimento
Isso se entendia muito bem até a época em que se iniciou a política do “Ralliement”, cujos perniciosos efeitos se fizeram sentir não só na França, mas no mundo inteiro.
Até então, a luta conduzida pelos contra-revolucionários era em favor do altar e do trono (*).
Tratava-se de um amor à hierarquia, combatido pelos partidários da inveja, que viam em toda desigualdade social uma cascata de desprezos.
A partir do “Ralliement”, esse pomo de discórdia foi sendo gradualmente esquecido pelos polemistas católicos. Não sabendo então como definir sua própria posição em face do “Ralliement”, muitos católicos fiéis começaram a atacar a Revolução em pontos secundários: matou muita gente, gastou muito dinheiro, e outras coisas do gênero.
São pontos que têm sua importância e seu interesse, mas são de um interesse secundário.
Esta é a evolução que houve do tempo do “Ralliement” aos nossos dias. Essa cegueira foi se tornando cada vez mais espessa com o correr dos tempos, em virtude de fatos e de circunstâncias que seria longo enumerar. De modo que o homem, hoje, quando objeta contra a Revolução Francesa, habitualmente o faz por razões secundárias, embora importantes. A questão nevrálgica ficou esquecida.
No pensamento de fundo, permanece a objeção central
De outro lado, entretanto, há o se­guinte. Por mais que se queira escon­der, a propósito da Revolução France­sa, esta nota igualitária fundamental — que não é só uma nota da Revolu­ção Francesa, é a própria Revolução Francesa, o próprio espírito dela é es­se — de algum modo ela transparece. Assim, em vários dos atuais objetantes contra a Revolução Francesa percebe-se que, embora não cheguem a explici­tar a grande questão fundamental, en­tretanto eles a têm no fundo da cabe­ça. Apresentam reservas e levantam dúvidas em relação à Revolução no que concerne aos morticínios, ao dinhei­ro gasto, etc., mas, de fato, eles não gostam dela principalmente por outra razão!
Eles têm implícito em sua mente um pensamento que fica por detrás da­quilo que disseram, um pensamento de fundo: o horror ao igualitarismo in­vejoso da Revolução, que eles sentem e já não sabem exprimir, ou pelo me­nos não ousam atacar de frente, por­que percebem a explosão. Saem assim à procura de razões secundárias para criticar uma Revolução que eles gosta­riam de combater a outro título e de outro jeito.
Interpretadas assim as atuais obje­ções à Revolução Francesa, poder-se-ia dizer que pelo menos um bom núme­ro delas representa uma tendência de espírito que é a mesma de antes do “Railiement”, e que não cessou. E nes­se sentido é altamente alentador o so­pro anti-Revolução que se nota em cer­tos setores da França e do mundo.
Os flagelados de alma
Ouve-se falar muito hoje em dia dos crimes cometidos pelo comunis­mo e pela Revolução Francesa. Fala-se porém somente dos crimes cometi­dos contra os corpos, porque a nossa época é materialista, e tende a só to­mar em consideração o que é matéria. Não se toma em consideração que, as­sim como há flagelados, ou podem ha­ver flagelados de corpo, porque recebe­ram açoites, existem os flagelados de alma.
Um indivíduo pode não ter no cor­po nenhuma doença, e nenhuma mar­ca de maus tratos, estar em condições físicas perfeitas, mas ter uma alma fla­gelada. E a alma de um homem é flage­lada, entre outras coisas, quando ele tenta dizer algo e não consegue por ter sido objeto de artifícios didáticos, pe­dagógicos, propagandísticos, os quais não lhe permitam a formulação do pró­prio pensamento. Ele se sente em desa­cordo com toda uma ordem de coisas, mas nem o sabe dizer. Por efeito de uma manipulação — que não há exage­ro em chamar de diabólica — foram torcidas as noções e as palavras, de maneira tal que muitos não encontram sequer o vocabulário necessário para a expressão de seu mal-estar. E assim carregam durante vinte, trinta, cinqüen­ta, oitenta anos de vida ou mais, essa incógnita que se move dentro deles, e que lhes dá um mal estar enorme! Ess­es são os grandes flagelados do mun­do de hoje. Mas, deles, os atuais parti­dários da Revolução não falam.
Se soubermos dar voz a esses flage­lados de alma, teremos feito um apos­tolado contra-revolucionário de primei­ra grandeza.
__________
(*) Como aliás, simetricamente, a luta conduzida pelos revolucionários se efetuava em oposição ao altar e ao trono.
A razão desse fato notório era profunda. A Revolução, essencialmente igualitária, afirmava — e seus con­tinuadores contemporâneos igualmente o dizem — que toda e qualquer desigualdade é injusta, e, pelo fato de ser desigualdade, deve suscitar merecida revolta da parte dos que estão “de baixo”. Levado esse principio a suas últimas conseqüências, importa ele em uma solida­riedade com o “non serviam” de Satanás e dos anjos rebeldes. E para os que, como tantos revolucionários, não crêem em Deus, tal principio acarreta uma oposi­ção categórica e radical a toda forma de religião e de culto. E o mesmo princípio provoca análoga oposição a qualquer desigualdade nas estruturas eclesiásticas e notadamente na Santa Igreja, cuja autoridade supre­ma e monárquica é o Papa, cujos príncipes espirituais são os Bispos e cuja elite é formada pelo Clero. Na Igre­ja, a plebe é constituída pelo laicato, tal não pode dei­xar de indignar um adversário coerente de todas as de­sigualdades.
O mesmo homem anti-igualitário, que preza a hie­rarquia existente no Poder espiritual, tem análogos reflexos se posto em presença da ordem monárquica co­mo habitualmente ela existia na Europa. Ou seja, de monarquias apoiadas, no campo político-social, por aristocracias, as quais tinham preeminência sobre os vários segmentos — também desiguais — da classe po­pular.
Da postura de pensamento e de temperamento dos revolucionários radicais nascia naturalmente um ataque simultâneo, inspirado por análogas razões, contra o Altar e o Trono. Nada mais justo e natural do que a frente única de uns e de outros contra o adversário co­mum, odiento e empreendedor.
Tudo isso não impede que — não por influência dos torpes princípios igualitários acima enunciados, mas por motivos inteiramente concretos, circunstanciais e políticos — determinado povo, ao constituir-se, prefi­ra para si qualquer das três formas de governo (monar­quia, aristocracia e democracia) ou uma forma de go­verno eclética abrangendo elementos típicos de cada uma dessas formas. Pois, em si mesma, nenhuma delas transgride a ordem natural e os Mandamentos da Lei de Deus.
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