“A ingratíssima tarefa de defender a autoridade contra a autoridade”

Texto retirado do livro “A Candeia Debaixo do Alqueire“, Padre Álvaro Calderón, p.135, Edições Mosteiro da Santa Cruz e Angelicum – Instituto Brasileiro de Filosofia e de Estudos Tomistas:

Diante da Hierarquia: o leigo diante de seu pároco, o sacerdote diante de seu bispo, o bispo diante do Papa, os súditos, enfim, diante de seus prelados não só têm o dever e o direito de resistir aos mandados que vão contra a fé ou contra o bem das almas, o que não seria tão extraordinário na longa história da Igreja, mas têm hoje a ingratíssima tarefa de defender a autoridade contra a autoridade. O que foi sempre e principalmente objeto dos ataques do modernismo é o princípio de autoridade,e a paradoxal situação suscitada desde o Concílio consiste em que o ataque à autoridade da Igreja é agora levado a efeito com o peso dessa mesma autoridade. O erro mais funesto do magistério conciliar está justamente em ensinar que o magistério tradicional cometia erros, e seu mais perverso mandamento em dar ‘liberdade de desobediência’ aos mandamentos tradicionais da Igreja. O católico fiel deve discutir o magistério conciliar por docilidade ao magistério tradicional. É completamente coerente e justificado, porque o magistério tradicional ensinou com altíssima autoridade, dando garantia divina de sua verdade, enquanto o conciliar não oferece nenhuma garantia, pois dá liberdade de ‘dialogar’. Mas é um ofício difícil, porque a maioria dos cristãos considera a autoridade de maneira ‘material’ e opta por atitudes aparentemente mais simples: ou crê em todos os Papas e se torna esquizofrênica, ou não crê em nenhum e perde a fé, ou crê nos de antes porque eram Papas de verdade e consideram que agora a Sede está vacante.

Como o Senhor deixou certo em Mt, 10, 32-33, de que  “Todo aquele, portanto, que me confessar diante dos homens eu o confessarei diante de meu Pai, que está nos céus. E o que me negar diante dos homens, também Eu o negarei diante de meu Pai, que está nos céus”, mais e mais, a confissão ou o testemunho em favor de Jesus diante dos homens vai prenunciando a realidade de algum martírio, de tal forma que chega a confirmar a sentença apocalíptica: “Porque o espírito profético não é outro que o testemunho de Jesus” (Ap, 19, 10b – parte final). E não será exatamente por este testemunho que o Senhor disse que “alguns dos últimos serão como os primeiros, assim como alguns primeiros estarão entre os últimos”?
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