As 12 virtudes do bom professor: 2. O Silêncio

NOTA DO BLOG: Texto de livre cópia e publicação, desde que mencionado o autor da tradução.

As doze virtudes do bom professor

segundo São João Batista De La Salle

 Explicação do Irmão Agaton, Superior General, F.S.C.

1785

***

Traduzido de exemplares em Inglês e Espanhol por

Allan Lopes Dos Santos

***

2. O Silêncio

“Dico autem vobis: Omne verbum otiosum, quod locuti fuerint homines, reddent rationem de eo in die iudicii”
“Eu vos digo: no dia do juízo os homens prestarão contas de toda palavra vã que tiverem proferido”
Mateus XII, 36

O silêncio é a prudente e virtuosa discrição que guia o professor a evitar falar quando não se deve e a falar quando não se deve calar.

Duas são as funções desta virtude. Primeira, ensina o professor a arte de calar-se, como também o ensina a de falar. Assim, aparta-o de dois extremos condenados por ela [a virtude do silêncio]: taciturnidade e loquacidade.

O primeiro efeito do silêncio é manter a ordem e a tranquilidade na classe, assegura o progresso e avanço dos alunos, e proporciona ao professor o repouso e a conservação da saúde: três coisas cuja carência o expões a grandes inconveniências.

De fato, se o professor fala em demasia, seus alunos farão o mesmo, contestam e perguntam indiscretamente, se metem no que não lhes compete, se justificaram a si mesmos e aos outros frequentemente, surgindo na sala de aula um murmúrio ininterrupto.

Além do mais, a experiência mostra que se escuta pouco dos professores que muito falam, e que se dá pouca importância ao que dizem. Em contrário, se falam pouco, bem e oportunamente, os alunos atendem, o escutam com gosto, retém o que lhes foi dito fazendo bom proveito disso.

Também está provado que os professores loquazes se encontram em constante agitação e se fatigam excessivamente. O ensino é penoso por si mesmo, e o bom mestre sacrifica-se prontamente para desempenhá-la como é devido, mas sempre deve fazê-lo com moderação e sensatez, e para isso, deve evitar toda imprudência, toda maneira de ensinar que, sem ser útil, prejudique a sua saúde.

Os sinais de que nos servimos nos proporcionam um singular proveito de guardar o silêncio quando damos a aula. Seu uso se estabeleceu para avisar e corrigir os alunos, assim, o professor precisa falar apenas quando não consegue fazer os alunos entenderem, por meio dos sinais, o que ele quer. Deste modo, os sinais, enquanto o professor se contém de falar, ao mesmo tempo servem como um aviso para falar quando os sinais não são suficientes, e assim, exerce o professor a segunda função do silêncio.

Mas, somente deve fazê-lo em três ocasiões: 1) na leitura e demais lições, para dar a conhecer as faltas que nenhum aluno pode corrigir e explica-las, 2) advertências, ordens e proibições necessárias; então, durante o catecismo, para explicar o texto e ajudar os alunos a responder corretamente; e finalmente 3) nas orações da manhã e da noite, para dirigir-lhes exortações e reflexões. Entretanto, nestes casos deve apenas dizer o necessário, pois se falar muito, quebrará a primeiro aspecto da virtude do silêncio.

Além disso, senda a obrigação principal do professor procurar enraizar nos alunos as virtudes cristãs, deve iluminá-los na mente e movê-los no coração para as verdades que deverá ensiná-los.

Para instruir com fruto, tem que preparar-se, como o diremos mais amplamente ao explicar a virtude da prudência. Para que seus ensinamentos seja eficazes, há de penetrar-se dos sentimentos que quer inspirar a seus discípulos.

Se querem persuadir, diz São Bernardo, melhor o conseguirão enchendo sua doutrina de sentimentos afetuosos do que declamando-a[1]. Certamente, uma infinidade de exemplos provam que enquanto um habilidoso e eloquente professor se desvie em vão em uma tarefa, tanto mais penosa quanto mais ausente está dela o verdadeiro zelo, um outro com talento muito inferior, se sente intensamente o que se diz, obtendo assim resultados muito mais salutares.

Para que o bom professor evite algumas faltas contrárias ao silêncio, seguem estas reflexões:

  1. Falar sem necessidade ou calar quando precisa falar.
  2. Falar mal o que diz, por não ter se preparado bem no assunto, sua necessidade, o tempo mais conveniente, as circunstâncias boas ou más; ou, também por expressar-se sem vigor, sem claridade nem exatidão, vacilando a cada palavra para o afã de usar termos enfeitados sem conhecer sua exata sua exata significação, ou sendo difuso e carente de método.
  3. Deter-se demasiado tempo falando com alguns, com seus pais, com outras pessoas estranhas ou com seus companheiros de escola, ainda quando lhes fale por necessidade.
  4. Andar a procura das notícias do dia, ouvindo o que os alunos desejam relatar para si sobre estas coisas fúteis.
  5. Finalmente, falar de maneira excessiva e precipitada, confusamente, muito alto, ou entre os dentes fazendo com que ninguém escute bem o que lhes é dito.

[1] Sermon 59, #3 Sobre o Cântico dos Cânticos (Sermon 59, #3 on the Song of Songs).

Advertisements

Deixe seu comentário aqui

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s