IDADE MODERNA E CONTEMPORÂNEA: A invenção da imprensa

Os séculos XIII e XIV marcam grande esforço intelectual na Europa, entretanto este desenvolvimento era detido pelo preço elevado dos livros. Dois fatos concorriam para que tal se desse: 1) a falta de material; 2) a dificuldade do trabalho. Este último fator era tão importante que tinha permitido a criação de uma classe social inteiramente dedicada a copiar livros; eram os copistas.

Gutemberg

A introdução do papel pelos árabes, e sua expansão graças ao uso das roupas brancas, veio sanar uma parte do mal. Porém permaneceu a outra, aliás a mais importante: a mão-de-obra. Foram feitas então muitas tentativas para a simplificação dos trabalhos. Todas se guiaram neste sentido: procurar um meio de realizar um molde, com auxílio do qual se pudessem tirar muitas cópias. Este modelo, ou melhor, o material para ele, apresentava dificuldades. As tentativas então se fizeram em madeira, e chegou-se a imprimir com o auxílio deste material. Os primeiros a trabalhar com madeira foram os chineses, em épocas remotas. Usaram-se também dois tipos de madeira já conhecidos no Egito, mas apresentava dois defeitos: 1) gravava-se página por página em pranchas de madeira, e o trabalho só servia para aquele livro; 2) quando um pequeno defeito aparecia em uma letra, perdia-se toda a prancha.

As tentativas foram então no sentido de conseguir tipos isolados. Para isto ainda não servia a madeira, pois ela não apresentava resistência e durabilidade, e as experiências de Laurens Janszoon Coster não deram resultado. Foi então que se procurou material para substituir a madeira. Segundo a maioria dos historiadores, foi encontrado por Gutenberg, na liga de chumbo e antimônio. Há historiadores que dão como descobridor desta liga Johan Fust, capitalista que subvencionou os trabalhos de Gutenberg por algum tempo.

A Bíblia de Gutemberg

Bíblia de Gutemberg

Ainda não estava resolvido o problema, pois eram necessários moldes, em que os tipos isolados feitos com a nova liga fossem fundidos. Foi o holandês-alemão Parest que os inventou. Graças a estas matrizes puderam ser fundidos os tipos isolados em liga de chumbo e antimônio. Depois destes trabalhos, feitos com grandes sacrifícios, no ano de 1455 a Bíblia foi impressa no novo sistema.

Apesar de tudo o que dissemos, dá-se a Gutenberg a glória da descoberta. Isto por causa da sua persistência e dedicação a este trabalho, que tantos benefícios traria à humanidade. Há a respeito de Gutenberg muitas discussões. Assim, enquanto Mogúncia quer que ele seja seu filho, Estrasburgo pensa da mesma maneira.

Expansão da imprensa – A imprensa rapidamente se expandiu por toda a Europa. Em 1470, G. Fichst, reitor da Universidade de Paris, montava uma tipografia da universidade. Nela trabalharam três ilustres impressores: Gering, Friberzert e Kaantz. Esta tipografia imprimiu em dois anos 21 trabalhos, clássicos de preferência. Em 1500, só na Itália, 54 cidades já possuíam tipografias, e assim a imprensa desenvolvia-se de maneira vertiginosa.

Conseqüências da invenção da imprensa – Profundas foram as modificações operadas no mundo graças a este invento. Sob o ponto de vista social, ela revolucionou as classes, determinou o desaparecimento dos copistas e fez com que o movimento intelectual suplantasse todo o imaginável. Rapidamente as elites de sangue começaram a ser suplantadas pelas elites intelectuais. Muitas mentalidades aparecem, e é indiscutível o papel que a imprensa desempenhou no advento do Renascimento. A Bíblia foi espalhada por toda parte, e isto deu margem a discussões em torno de sua interpretação, preparando a Reforma protestante em alguns espíritos. O livro baixou de preço, e então a cultura esteve ao alcance de qualquer bolsa. Também no terreno político e no econômico a influência foi grande. As idéias políticas e as experiências econômicas puderam ser, através do livro e do jornal, conhecidas por todos. Desta expansão, profundas conseqüências deveriam surgir durante a idade moderna e contemporânea.

Descobrimento da América

Enquanto os portugueses procuravam o caminho das Índias avançando pelo Sul, para contornar a África e encontrar uma passagem para Leste, os espanhóis avançaram com o mesmo objetivo e descobriram, sem o supor, um novo continente — a América. Este feito foi realizado por Cristóvão Colombo.

Cristovão Colombo.
Óleo sobre madeira atribuído a Ridolfo Ghirlandaio – Séc. XVI.

Cristóvão Colombo – Colombo era Genovês, nasceu em 1451. Seu pai possuía pequena fortuna, e Colombo desde cedo mostrou grande interesse pela navegação. Contam alguns que a sua primeira viagem realizou-se aos 14 anos, porém parece que ainda aos 21 era operário em Gênova. Viajou muito, e pôde escrever aos reis católicos: “Tudo que se navegou até aqui, eu também naveguei”. Conheceu a Inglaterra e Islândia, e esteve nas costas da Guiné. Em 1478 se estabeleceu em Lisboa, onde continuou seus estudos de geografia e astronomia, casando-se com a filha de um nobre.

Foi durante sua estadia em Portugal que parece ter surgido o projeto, que assim formulou: “Procurar o Oriente pelo Ocidente, e passar por Oeste para chegar aonde crescem as especiarias”. Parece que sua obra foi inspirada no livro de Pierre Daily, e também por sua teoria a respeito da esfericidade da terra, o que era comum em muitos sábios da época. Sabe-se assim que Vasconelli, com quem Colombo teve correspondência, já em 1474 tinha escrito ao rei de Portugal sobre essa tese. Isto parecia fácil a Colombo, principalmente porque os geógrafos julgavam que a Ásia fosse muito maior do que é, e davam à terra um tamanho menor que o real.

Colombo insistiu para que o rei de Portugal lhe permitisse a expedição, o que lhe foi negado. Dá-se também como real uma verdadeira peregrinação de Colombo pelas cortes européias, porém isto não está francamente demonstrado. Sabe-se que em 1484 Colombo expôs seus projetos aos reis católicos, pedindo o auxílio espanhol. Esperou 7 anos pela resposta. Diz-se que, por influência do confessor da rainha, foi aceito o projeto no fim desse prazo. Foi firmado um tratado entre Colombo e a Espanha, que lhe dava o título de Grande Almirante e Vice-rei das terras que descobrisse, o monopólio do comércio, etc. Forneciam-se-lhe navios e uma subvenção de 300 mil francos. O resto da quantia necessária, mais ou menos 700 mil francos, foi fornecido por um armador de Palos e, em pequena parte, pelo próprio Colombo.

Primeira viagem – Colombo partiu de Palos em 3 de agosto de 1492, com três caravelas — Santa Maria, Pinta e Niña — e 120 homens de equipagem. Fez escala nas Canárias, donde partiu a 9 de setembro. No dia 10 de outubro os marinheiros não queriam mais continuar. Diz-se que Colombo respondeu que “tinham partido para ir às Índias, e que continuariam até lá chegar”.

No dia 11 de outubro Colombo percebeu à noite sinais de terra, e na madrugada do dia 12, quase de manhã, a terra apareceu distintamente. Chegava Colombo à ilha de Guanaani, que foi denominada São Salvador. Era uma das Lucaias, nas Antilhas. Fala-se que durante três meses Colombo procurou o rei da Zupanga, para lhe entregar as cartas do rei da Espanha, isto por estar convencido de ter chegado às Índias. Nestas explorações, conheceu Cuba e São Domingos. Tendo porém perdido uma caravela, retornou à Espanha para anunciar suas descobertas. Chegou a Palos em 15 de março de 1493, sete meses após a partida, sendo recebido triunfalmente.

Outras viagens de Colombo – Foram realizadas ainda 3 outras viagens, em que descobriu o resto das Antilhas. Na terceira, chegou mesmo ao próprio continente, e na quarta tocou a América Central, vindo a morrer na Espanha em 1506. Depois da sua segunda viagem, perdeu toda a popularidade. As descobertas não deram, de momento, tudo o que se esperava. Uma tentativa de colonização de São Domingos fracassara. Colombo foi tido como responsável por esses desastres, e os reis católicos resolveram afastá-lo do posto de vice-rei.

Seu sucessor, sem ordem para tal, o aprisionou e enviou à Espanha. Porém, Fernando e Isabel repararam esta afronta, não sendo entretanto Colombo restituído ao antigo cargo. É certo que pouco antes da morte lhe foram contestados alguns direitos que o tratado da Santa Sé lhe concedera, não sendo contudo muito verdadeira a versão de que Colombo tenha morrido na miséria. Morreu ele com a convicção de ter descoberto as Índias. Logo depois começou-se a supor que se tratasse de outras terras, o que se confirmou com as viagens de Balboa (1513) e Magalhães (1519). Os espanhóis se expandiram rapidamente por todo o continente graças a Cortês, Pizarro, Almagro e outros conquistadores.

Conseqüências do descobrimento – As grandes descobertas têm tido sempre maiores ou menores repercussões na vida dos povos. Deixaram de ser próprias das nações descobridoras (Espanha e Portugal) para passarem a ter caráter universal. Profundas foram as conseqüências, quer nos campos econômico, social e político, quer no científico.

A América, em grande parte de seu território, não pôde desde o primeiro momento contribuir para o comércio, agricultura ou indústria. É que suas terras estavam ainda em estado selvagem, e a maioria de seus habitantes se achava em baixo grau de civilização. É real que em algumas partes (México e Peru) os espanhóis encontraram civilizações bem desenvolvidas, das quais tiraram proveito.

Mas a América, de modo geral, foi fornecendo novos elementos para a agricultura: terras fecundas se abriram à exploração dos que chegaram; plantas e animais desconhecidos forneciam agora elementos para a subsistência. Seria longo enumerar todas as espécies que o homem europeu conheceu, ao entrar em contato com a América: milho, batata, mandioca, etc.

O comércio só se desenvolveu, de modo geral, depois de uma época de preparação, isto é, depois que emigrantes europeus começaram a produzir suficientemente, e também comprar. Para algumas colônias espanholas, este comércio surgiu mais rapidamente pela presença do ouro e outros metais. Pode-se dizer que aos poucos ia-se formando na América um novo núcleo de comércio, e assim o mundo deixava de ter dois núcleos comerciais (Extremo Oriente e Mediterrâneo, com toda a Europa) para admitir um terceiro, que se formava nestas terras.

A primeira indústria foi a extrativa. É verdade que grande parte dos tesouros daqui levados pelos espanhóis foi produto do confisco por eles feito aos tesouros dos incas e astecas. Entretanto, a indústria extrativa progrediu rapidamente, se bem que primitiva. Aos poucos a América foi se tornando o empório de abastecimento de matérias-primas: madeira, algodão, açúcar (principalmente do Brasil), e ainda muitas outras que seria extenso enumerar.

Do ponto de vista social a influência foi grande, isto se levarmos em conta que na época medieval a riqueza era fundamentada na terra, e que na idade moderna o comércio, em grande parte americano, permitiu o progresso rápido da burguesia.

No campo político criaram-se novos problemas coloniais, e nota-se um desenvolvimento dos países descobridores (Portugal e Espanha).

Não foi menor a colheita feita pela ciência. A geografia ganhou em extensão e profundidade. As ciências naturais conheceram novos elementos. A etnografia, a antropologia e todas as ciências relativas ao homem vieram encontrar na América problemas, alguns dos quais estão até hoje por resolver. A descoberta da América contribuiu de outro modo para os desenvolvimentos da navegação, astronomia, medicina. Afirma-se, pois, que este acontecimento teve repercussões em todos os campos da atividade humana.

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PARA CITAR ESTA POSTAGEM:
IDADE MODERNA E CONTEMPORÂNEA: A invenção da imprensa, 2014, por Site Plínio Corrêa de Oliveira, São Paulo, SP, Brasil, visto em Fev. 2014 “http://www.pliniocorreadeoliveira.info/BIO_1936_Pre_Universit%C3%A1rio_16.htm”.

CONTATO:
allan.santosbr@gmail.com

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