IDADE MODERNA E CONTEMPORÂNEA: A Renascença

Conceito de Renascimento – Chama-se de Renascimento a grande transformação e evolução das letras e das artes que se deu no século XV e primeira metade do século XVI.

A Idade Média, como vimos, não foi completamente inútil quanto às artes e letras, por isso o termo Renascimento é impróprio, pois nos dá a entender que as artes e as letras tinham desaparecido durante aquele período, o que não se deu na realidade. Houve uma grande transformação e um grande desenvolvimento, porém as artes, letras e ciências aparecem sempre na Idade Média (século XIII e XIV).

Causas – Foram várias as causas a atuar nestas transformações e evoluções. As principais são:

1) o grande desenvolvimento intelectual atingido nos séculos XIII e XIV, e portanto o aparecimento de homens notáveis, que são os precursores do Renascimento;

2) as descobertas de objetos de arte na Grécia fornecem novos modelos e elementos para estudos;

3) a queda de Constantinopla determina a saída dos sábios que lá residiam, dirigindo-se para a Europa, com isso desenvolvendo extraordinariamente o chamado humanismo;

4) a causa mais importante, que foi o desenvolvimento econômico.

Nos fins do século XIV, graças à ação dos cruzados, a Europa retornava ao comércio do Mediterrâneo. Nesta época os navios de Gênova e Veneza singravam este mar, pondo em contato a Europa com o Oriente. O desenvolvimento do comércio fez desenvolver a situação econômica, começando a ser acumulados grandes capitais. Os príncipes e a Igreja puderam então proteger os artistas e literatos, os mecenas apareceram por toda parte. Já na Idade Média começava esta proteção, haja vista os Valois, os Médicis, os Visconti e outros.

Precursores do Renascimento – Não se pode isolar o Renascimento dos grandes escritores e artistas que o precederam, pois foram de grande influência. Citam-se na França: Joinville, autor da “História da vida de São Luís”; Froissart, autor de “Crônicas”.

Na França existiam grandes artistas e escritores, porém a maioria deles é anônima. Citam-se: Claus, Jeanfan, Eicy, Jean Fouquier. Na Itália já se observavam, nos séculos XIII e XIV, grandes vultos que seriam precursores, como Dante, Petrarca e Boccaccio. Na Itália os nomes dos artistas são conhecidos: Brunelesco, Gilberto, Della Robbia, Giotto e outros. Os artistas italianos já apresentavam trabalhos diferentes dos seus contemporâneos — era a influência greco-romana que se fazia sentir.

Renascimento – Já no pré-renascimento se observava uma grande influência das artes antigas. Os artistas que na Itália foram precursores da Renascença eram já influenciados pelos trabalhos que encontravam nas ruínas romanas. Entre os artistas já se começava a chamar a arte gótica de bárbara. Aos poucos foram se restaurando todos os ornamentos gregos; apareceram os capitéis dórico, jônico e coríntio, voltando assim à arte greco-romana. As ruínas de Roma, com os baixos-relevos e as colunas trajanas, foram as fontes de modelo.

Sabe-se que, de 1.500 em diante, felizes pesquisas revelaram inúmeros trabalhos gregos, que seriam mais tarde utilizados pelos artistas. A Religião cristã foi também uma fonte notável de motivos, e os artistas do Renascimento foram versados em assuntos religiosos e mitológicos. Conheciam Homero e Virgílio, mas também a Bíblia.

Interessante é observar que alguns artistas decoravam igrejas com motivos pagãos. Mais que as artes, exerceu influência a literatura antiga de todos os gêneros: prosa, poesia, história, ciência, etc. Foram restaurados nos séculos XIV e XV as obras de Cícero e Tácito, que foram encontradas principalmente nos conventos. Boccaccio e Petrarca foram estudiosos do assunto. Platão foi conhecido no século XV. Após a tomada de Constantinopla, inúmeros sábios fugidos para a Itália trouxeram e espalharam o gosto pelos estudos gregos e romanos, e rapidamente formou-se a classe chamada dos humanistas, isto é, estudiosos do grego e do latim.

A Renascença era, assim, uma verdadeira restauração do espírito antigo. Deve-se ter bem em conta o papel desempenhado pelos mecenas da época. Muitos poderosos, entre os quais alguns chefes de Estado, fizeram construir monumentos, palácios, etc. Compravam estátuas e quadros, sempre avivando o gosto pelas artes. Criavam bibliotecas e concediam pensão aos estudiosos, procurando assim, e por todos os meios, desenvolver as artes e as letras. Lourenço de Médicis fez de Michelangelo o companheiro de seus filhos e sobrinhos. O papa Leão X queria dar a Rafael o título de cardeal. Cellini foi absolvido de um assassinato, porque o papa Paulo III entendia que “homens únicos na sua arte não devem estar submetidos às leis”. Na Itália destacaram-se, como protetores, os Médicis em Florença e muitos papas. Na França, Francisco I.

Renascimento na Itália – O Renascimento literário na Itália no século XVI destaca-se pela obra de quatro notáveis escritores: Ariosto, Tasso, Maquiavel e Guichardin. Ariosto é autor de “Orlando Furioso”; Tasso escreveu “Jerusalém Libertada”; Maquiavel é autor de “O príncipe”, onde fixa a análise realística duma sociedade política, e a palavra maquiavelismo entrou para todas as línguas com o significado de política habilmente inescrupulosa; Guichardin fez a história das guerras da Itália; podemos ainda salientar os nomes de Giordano Bruno, de uma prosa vigorosa, e Galileu Galilei.

Entre todos os artistas, incontáveis por certo, podemos destacar cronologicamente: Bramante, Leonardo da Vinci, Rafael, Michelangelo, Benvenuto Cellini e Paulo Veronese. Bramante é o maior arquiteto da Renascença; Leonardo da Vinci praticou todas as artes, conheceu muitas ciências, foi físico, músico e engenheiro. Michelangelo é considerado o gênio mais poderoso do Renascimento, pintor, escultor e poeta. Em escultura, produziu “Pietà“, “Moisés”, o célebre túmulo dos Médicis e as estátuas “Aurora”, “Dia”, “Crepúsculo” e “Noites”; são notáveis suas pinturas da Capela do Vaticano, “Profetas” e “Juízo Final”, como obra arquitetônica temos a cúpula da Igreja de São Pedro em Roma.

Rafael é o maior dos pintores de seu tempo. São obras suas: “Escola de Atenas” (em que resume a história da filosofia), “O Parnaso”, “A Disputa do Santo Sacramento” (em que resume a história da Igreja). As obras de Rafael caracterizam-se pela beleza das imagens, pelas graças de expressão e ciência das composições. Foi pintor idealista, o que bem se constata nas “Madonas”.

Renascimento na França – Na França o renascimento é posterior ao da Itália. Enquanto o Renascimento Italiano se fez no fim do século XV e na primeira metade do XVI, o Renascimento francês se fez durante o século XVI. É verdade que o Renascimento francês, principalmente artístico, é inferior ao italiano. Nele faltam quase completamente pintores notáveis. Entre os escultores, podemos citar Marot, Ronsard, du Bellay e os prosadores Rabelais, Calvino e Montaigne. Os três primeiros são os criadores da poesia francesa. Rabelais escreveu “Pantagruel”, sua obra máxima; é um livro burlesco; em suas aventuras, passa em revista burlescamente, mas com verdade humana, a vida da época, toda sorte de homens vêm à cena, especialmente os das profissões liberais; padres e advogados levam a sua dose de pancadarias. Calvino escreveu a “Instituição Cristã”, e Montaigne “Ensaios”. Foi ele quem criou esta forma de literatura; entretanto outros apareceram antes, se admitirmos como ensaios os discursos de Aristóteles e Cícero.

As artes praticadas com mais destaque foram: A arquitetura, onde se destacam Pierre Lescot e Jean Bullant; na escultura, Germain Pilon e Goujon; foram todos trabalhos realizados na época de Henrique II e Catarina de Médicis. Lescot deixou “Louvre” e “Santa Eustáquia”; Goujon deixou alguns trabalhos célebres, como “Diana” (esculpida para o palácio de Annet) e as ninfas das “Fontes dos Inocentes”. Germain Pilon é autor das 8 estátuas do túmulo de Henrique II e do grupo das “3 graças”. A Renascença francesa é antes de tudo sentida na arquitetura. Os edifícios construídos são quase sempre monumentos civis. No século XVI, com raras exceções, construíram-se só palácios. Há duas escolas na arquitetura da Renascença francesa: uns são continuadores da arte medieval, outros há que recebem influência clássica e italiana.

Renascimento alemão – A Renascença alemã se fez mais ou menos na época da italiana. É verdade que não teve seus fulgores no início, e só se desenvolveu propriamente depois do século XVI. Entre os artistas destaca-se Albert Dürer, gravador, porém distingue-se como retratista a óleo.

Na Holanda temos o escritor Erasmo, o maior humanista da época. Na Península Ibérica temos na Espanha Cervantes e o poeta Lope de Vega, e em Portugal o Poeta Luís de Camões.

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PARA CITAR ESTA POSTAGEM:
IDADE MODERNA E CONTEMPORÂNEA: A Renascença, 2014, por Site Plínio Corrêa de Oliveira, São Paulo, SP, Brasil, visto em Fev. 2014 “http://www.pliniocorreadeoliveira.info/BIO_1936_Pre_Universit%C3%A1rio_16.htm”.

CONTATO:
allan.santosbr@gmail.com

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