IDADE MODERNA E CONTEMPORÂNEA: O regime colonial no século XVIII

Países colonizadores – Os primeiros países a criar colônias no fim da Idade Média foram Portugal e Espanha. Porém, muito não demorou para que a Holanda lhes seguisse os passos. As guerras de independência dos Países Baixos deram motivos para isto. Também a França cuidou do problema. A Inglaterra, depois de Isabel, e principalmente após o “Ato de Navegação de Cromwell”, se tornou potência marítima e colonizadora.

O novo conceito de colônia – Tem o termo colônia, na idade moderna, conceito diferente do que se observa na antiguidade, e mesmo, sob muitos aspectos, distingue-se da colônia contemporânea de um modo geral. Colônia, na antiguidade (Fenícia e Roma), eram fundações em regiões desabitadas.

As colônias contemporâneas, quando não para satisfazer um excesso demográfico (italianos, etc.), assumem sempre o aspecto comercial. São mercados que se buscam para a produção (ingleses, etc.). A colônia moderna é uma fonte de exploração. Estabelecidas entre povos incultos, as nações européias faziam toda sorte de extorsões, estabelecendo sempre, como mais prático meio para se chegar a este resultado, o regime do monopólio. Era a colônia nos tempos modernos um feudo do Estado, por isso que em geral a extorsão se fazia em benefício do Estado Metrópole.

É real que muitos particulares se enriqueceram nesta época à custa das colônias, porém eram eles sempre arrendadores ou enviados do Estado. É a este sistema de colônia (extensão no máximo, domínio do Estado, regime de monopólio) que se convencionou chamar regime colonial, no século XVIII.

Companhias de comércio – Muitas vezes impossibilitado de a fazer por si, cedia o Estado a exploração comercial a particulares. Era o sistema das “encomendas”, entre os espanhóis, e das companhias de comércio. A primeira companhia originou-se na Holanda, com o nome de “Companhia das Índias Orientais”, e tinha como fito prejudicar o comércio espanhol e português no Oriente.

Foi esta a companhia típica. Tratava-se de uma sociedade, e os acionistas compunham-se de particulares, cidades e governo. A sua exploração era realizada por meio de esquadras, porém eram organizadas por navios de particulares. A companhia fornecia uma frota de guerra, que protegia a esquadra comercial.

Inúmeras companhias se foram formando. Com as mesmas características fundou-se ainda na Holanda a companhia de comércio das “Índias Ocidentais”, visando ainda prejudicar o comércio espanhol e português no Ocidente. Os países colonizadores cediam também a empresas particulares o comércio em determinadas regiões, imitando assim os seus adversários, com uma única diferença: nestes países as companhias de comércio eram formadas para explorar as regiões conquistadas, e não regiões a conquistar.

Alguns exemplos podem ser citados entre as inúmeras companhias que se formaram. Já vimos duas na Holanda. Na Inglaterra havia as da “América do Norte”. Em Portugal originou-se a companhia de comércio do Brasil, outra do Grão Pará. Na França houve a das índias, a da Guiné, Cabo-Branco, etc. Em 1769 havia na França 55 companhias de comércio. Na Espanha prevaleceu principalmente o regime das “encomendas”. Essas companhias de comércio deram altos dividendos.

Regimes coloniais

Colônias portuguesas – Os portugueses fundaram os seus estabelecimentos apenas com objetivo comercial. Seus navios de guerra eram ao mesmo tempo navios comerciais, porém este sistema era bastante caro. Os particulares não podiam ir às zonas de comércio, senão com autorização do Estado. Os funcionários, nomeados por 3 anos, procuravam se enriquecer rapidamente, administrando muitas vezes mal, impedindo os particulares de comerciar.

Na costa da África os estabelecimentos eram penitenciárias, para onde se deportavam os condenados. O porto de Luanda chegou a exportar em um ano cerca de 70 mil escravos. O Brasil, não possuindo população produtora, foi nos primeiros tempos abandonado. Foram condenados e alguns judeus que introduziram a cana de açúcar. Aventureiros exploravam as minas, e no século XVIII o governo português não conseguira impor orientação aos homens que haviam galgado o planalto. Mas assim que o Brasil se tornou uma colônia produtiva, foi o monopólio de comércio dado a companhias de comércio.

Colônias espanholas – O governo espanhol tinha-se tornado senhor de inúmeras possessões na América, porém não desejava criar uma nova Espanha povoada por espanhóis; queria ganhar os selvagens para a Fé cristã, aumentando os domínios. As colônias eram como que grandes propriedades. Para se vir à América tinha-se que obter autorização do Estado, os navios não partiam sem que seu comandante provasse que só levava gente autorizada. Para obter essa autorização era preciso um motivo justo, e ser de família católica. Assim mesmo, quase sempre a autorização era dada por dois anos.

Era assim dificultado o estabelecimento nas colônias. Em 1550 não havia mais do que 15 mil espanhóis, esta a razão pela qual o elemento índio forma grande parte das populações da América espanhola. O governo era exercido unicamente por espanhóis: de 160 vice-reis que teve a América espanhola até o século XIX, só quatro foram “crioulos”, e de 369 bispos até 1673, apenas 12 foram “crioulos”. A classe dos crioulos, para não poder agir em comum, era dividida pelos espanhóis em crioulos de sangue azul, gente de cor, etc.

Todas as colônias eram organizadas da mesma maneira que a Espanha: sistema feudal com as “encomendas”, pagamento de impostos nas mesmas bases usadas na Espanha, censura das publicações, ação plena da Inquisição. Em suma, uma sociedade velha em um país novo. Aos americanos não cabia direito nenhum. “Aprendei a ler — dizia um vice-rei —, a escrever e a dizer vossas orações, e isto é tudo que um americano deve saber”. Como a América tinha sido descoberta e ocupada pela coroa de Castela, o comércio pertencia a ela, e naturalmente era realizado pelos seus portos. Todo navio que partia precisava passar em Sevilha. Mais tarde o monopólio se transportou para Cádis. Os navios formavam sempre caravanas, viajando juntos, e havia duas caravanas por ano.

Colônias holandesas – Tem origem na pesca do arenque na América do Norte. No século XVIII os holandeses possuíam a maior parte do comércio da Europa, porém exerciam de preferência o papel de intermediários, pois que pouco tinham a vender de seu. Suas colônias pertenciam às companhias de comércio, que as tinham conquistado em geral dos portugueses. Procuravam ser mais liberais no comércio, procurando relações amigáveis com os soberanos. Vendiam por um preço mais em conta e compravam também a bom preço. Seu princípio era: ganhar pouco, porém em grande quantidade. Não tinham despesas com o estabelecimento de ocupação, entretanto foram adotando os processos dos outros países: destruíram os holandeses os indígenas das Molucas. A guerra com a Inglaterra pôs fim a este comércio.

Colônias francesas – Eram organizadas como as províncias da França. Não podiam administrar-se por si, um intendente decidia todas as questões. Transportou-se à América a censura, e também a perseguição religiosa: os protestantes não eram recebidos nas colônias, e os colonos estavam em má situação; não tinham liberdades, o monopólio do comércio era dado todo a companhias que forçavam os seus produtos, era proibido instalar fábricas, as mercadorias eram vendidas bastante caras. Assim o estabelecimento na América tornou-se difícil.

Colônias inglesas – As tendências coloniais da Inglaterra começaram com Isabel, porém foi Cromwell, no “Ato da Navegação”, quem mais profundamente tratou do problema. Tomaram uma direção diferente, estabelecendo o regime colonial que devia servir de modelo. Afastaram-se do monopólio, para procurarem a livre concorrência. Fundou-se a Companhia das Índias, que aos poucos foi criando feitorias. Mais tarde o Tratado de Paris trouxe grande quantidade de colônias para a Inglaterra.

Desenvolvimento do Império Otomano

Formação do Império Otomano – Durante a Idade Média as tribos turcas da Ásia organizaram-se sob a ordem de Osman. Este povo iniciou então um avanço para o Ocidente. Como Constantinopla resistisse, eles tomaram Galípoli, na Península Balcânica, onde fizeram sua residência. Em 1453 Constantinopla foi tomada pelos turcos. Rapidamente eles se expandem pelo sul da Península Balcânica e pelo Mediterrâneo. Estava assim, nas mãos dos turcos, um vastíssimo território, que compreendia na Europa grande parte da Península Balcânica, toda a Ásia Menor e grande parte da Ásia Central, e na África o Egito. A primeira invasão para o Ocidente foi detida em Belgrado, mas já os turcos estavam estabelecidos na Europa.

O império turco na Idade Média – A indisciplina dos janízaros, a tendência para o luxo, que acompanhava os sultões, e as intrigas de palácio começaram a enfraquecer o império. Também para tanto influía a pequena porcentagem de turcos, relativamente ao número de habitantes do império. Os primeiros-ministros (grão-vizires) foram os últimos conquistadores turcos. Foram até Creta, procurando se estabelecer na Hungria. Chegaram mesmo a ameaçar Viena, sendo porém batidos em São Gotardo. Mais tarde tomaram Creta, e após isto invadiram novamente o império austríaco. Sitiaram Viena, que quase se rendeu, mas foi socorrida pela Polônia, sendo obrigados então os turcos a recuar. Logo depois o Duque de Lasona vence-os em Budapest, e o Príncipe Eugênio mais tarde os desbarata completamente em Ponte de Zenta. Com estas derrotas os turcos perderam grande parte de seu território.

O império turco na Idade Contemporânea – Na Idade Contemporânea o império turco entra muito ameaçado. Ao lado de uma boa aparência, ele está entretanto minado no seu interior. De fato, a sua posição entre três continentes e sua grande extensão pareciam mostrar estarem os turcos ainda bem sustentados, interiormente. Porém sérios problemas existiam: não tinha sido possível a assimilação dos cristãos; os janízaros formavam elementos de indisciplina; os auxiliares do sultão possuíam grande poder; o desmembramento do império turco já estava preparado pela Áustria e Rússia, nos fins da Idade Moderna. Estas nações iriam forçar o desmembramento do Império Otomano.

Revoltas dos sérvios – Os sérvios, provocados pelos janízaros, se revoltaram, porém esta revolta era contra os janízaros, e não contra o império turco. Mas a pressão feita pelo sultão foi de tal modo violenta, que os sérvios se revoltaram mais tarde, conseguindo sua autonomia.

A Grécia e sua independência – O califa de Constantinopla entrou em luta com o Pachá, e pediu o auxílio dos gregos. Estes, reunidos, resolveram proclamar a sua independência. A Europa toda apoiava-os moralmente, mas o Pachá do Egito enviou seu filho Ibrahim contra os gregos. Os europeus responderam auxiliando materialmente a Grécia, e na batalha de Navarino a frota franco-inglesa destruiu completamente a esquadra turca. Esta batalha foi dada como acidental, e a França e a Inglaterra resolveram mudar de política, mas a Rússia arvorou-se então em defensora dos gregos. Os turcos foram batidos em diversas batalhas, terminando a campanha com a paz de Andrinopla.

Por este tratado a Grécia se tornava independente (a Grécia desse tempo não tinha as dimensões atuais, era menor). A Sérvia e as províncias rumaicas tornavam-se autônomas. A Rússia recebeu a foz do Danúbio e o direito de passagem no estreito. A Valáquia e Moldávia, que eram tributárias da Turquia, foram ocupadas pelos russos como pagamento das dívidas da guerra.

Guerra turco-egípcia – O Pachá do Egito entrou em conflito com o sultão. Os turcos foram batidos em vários combates, e os russos pretenderam auxiliar a Turquia, mas apesar disso os egípcios tornaram-se independentes. Foi novamente preparada uma segunda guerra (pela Turquia), para reconquista dos territórios perdidos, sendo novamente vencida. A Inglaterra e a Áustria, temendo prejuízos com a aliança russo-turca, resolveram negociar o “Tratado de Londres”, em 1840. A guerra da Criméia veio em auxílio da Turquia, salvando-a do desmembramento completo, isto é, da ameaça russa. Foi assinada depois a paz de Londres, que introduziu várias modificações, e o império turco foi garantido pela França e Inglaterra. A questão do Oriente permaneceu sem incidentes até a guerra franco-prussiana.

Guerra russo-turca – Os sérvios se revoltaram por volta de 1875. A Rússia, valendo-se deste incidente, invadiu a Turquia, que se encontrava desorganizada, impondo-lhe um tratado pelo qual a Rússia recebia a Bessarábia. A Sérvia e a Bulgária tornavam-se independentes, e a Rumânia recebia o sul do Danúbio. Era o desmembramento quase completo da Turquia. A Rumânia tornou-se autônoma, a Áustria recebeu alguns territórios e a Sérvia ficou independente. Em 1911 deu-se a guerra ítalo-turca, pela qual a Turquia perdeu o que lhe restava no Norte da África e várias ilhas no Mediterrâneo. De 1912 a 1913, aproveitando os embaraços da Turquia, os países balcânicos atacaram-na. Gregos, sérvios e búlgaros combatiam pela independência da Macedônia. Pela paz de Londres, à Turquia só restou Constantinopla e pouco mais. Na Primeira Guerra Mundial, vencida pelos aliados, teve que assinar a paz. Por esta só lhe restava na Europa Constantinopla, com pequeno território, daí a mudança da capital para Angorá, e na Ásia seus territórios diminuíram. Depois, com o governo de Mustafá Kemal, foi-lhe restituída Andrinopla pelo tratado de Lausanne.

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PARA CITAR ESTA POSTAGEM:
IDADE MODERNA E CONTEMPORÂNEA: O regime colonial no século XVIII, 2014, por Site Plínio Corrêa de Oliveira, São Paulo, SP, Brasil, visto em Fev. 2014 “http://www.pliniocorreadeoliveira.info/BIO_1936_Pre_Universit%C3%A1rio_16.htm”.

CONTATO:
allan.santosbr@gmail.com

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