IDADE MODERNA E CONTEMPORÂNEA: A indústria moderna

Os últimos 80 anos da Idade Contemporânea se caracterizam por um grande desenvolvimento econômico, industrial ou comercial. Concorrem para isto fatores vários, destacando-se entre eles o desenvolvimento científico. As ciências, mormente as experimentais, fizeram durante a segunda parte da Idade Contemporânea progressos surpreendentes. Máquina a vapor, eletricidade, aviação, automóveis, rádios, telefone, motores de explosão, etc, deram ao homem grandes vantagens na produção industrial. A indústria procura aproveitar-se de toda inovação científica, e as descobertas são logo utilizadas. Infelizmente, este grande desenvolvimento industrial e material tem feito, em geral, com que o homem abandone em grande parte o espírito.

Formação da grande indústria – As transformações econômicas e o grande desenvolvimento acarretaram a organização de um novo tipo de indústria. A indústria na Idade Moderna era de domicílio, e em geral dispersa. Na Idade Contemporânea a formação de grandes capitais e companhias empreendedoras tem feito com que a indústria se concentre, isto é, que se localize em pontos mais favoráveis.

Nesta concentração a indústria tem sido uma das causas do povoamento e desenvolvimento de certos centros urbanos. Surgiu também um novo problema: os grandes industriais, não podendo estar em contato com os operários, tornou-se necessária a criação de órgãos intermediários. E o desconhecimento mútuo, cada vez maior, entre as classes operárias e patronais, teve como conseqüência o aumento da “luta de classes”.

A tendência para “criar” necessidades – A propaganda industrial e a necessidade da venda dos produtos têm determinado o aparecimento de inúmeras “necessidades”. Dado o desenvolvimento industrial, o homem torna-se, dia a dia, mais exigente.

Desenvolvimento do comércio contemporâneo

O comércio, na segunda metade da Idade Contemporânea, sofreu como a indústria, e ao lado dela, uma grande transformação. O “comércio mundial” tornou-se muito mais importante do que o “comércio local”, que era a forma preferida anteriormente. Deve-se esta grande transformação principalmente à evolução dos meios de transporte. De fato, as descobertas científicas e o desenvolvimento da ciência em geral acarretaram grande facilidade nos transportes.

Transportes terrestres – O primeiro em importância, dos meios de transporte terrestres, foi a estrada de ferro, que sofreu grande evolução. Como se vê, todos os países têm contribuído para o seu aumento e aperfeiçoamento, a perfeição das locomotivas, a sua eletrificação, etc. Ainda vem aumentar o desenvolvimento dos transportes terrestres a invenção do automóvel, que muito se tem aperfeiçoado nos últimos tempos.

Transportes marítimos – A navegação fez notáveis progressos. Em 1838 colocava-se a hélice nos navios, em 1877 construíam-se navios de aço, em 1890 surgiam os submarinos, e modernamente a construção dos motores diesel. De sorte que desde a metade do século passado puderam ser fixas as rotas e respeitados os calendários marítimos. Contribuiu também para o desenvolvimento da navegação a abertura de vários canais, como Suez e Panamá.

Navegação aérea – Com a invenção do aeroplano e dos dirigíveis, cuja definitiva aceitação se estabeleceu em 1929 com a viagem do Conde Zeppelin, as comunicações também ganharam bastante. Também com a invenção do telefone, do telégrafo, dos cabos submarinos, etc. O aumento comercial deu-se em três sentidos: 1) Extensão do campo, isto é, aumento das relações; 2) Entrada de novas mercadorias; 3) Intensidade de circulação.

Conseqüências comerciais – O desenvolvimento do comércio trouxe o aumento de produção e consumo, e o desenvolvimento industrial trouxe o progresso comercial, cuja grande expansão mais fez aumentar e desenvolver a indústria. Os novos campos de comércio exigem o desenvolvimento industrial, isto é, aumento de produção e barateamento dos produtos. O desenvolvimento industrial produziu conseqüências em todos os campos da atividade humana.

Conseqüências econômicas – Economicamente, permitiu o aumento da troca, a formação de grandes capitais e maior consumo. A população do globo tem aumentado, e também seu poder de produção. O comércio, entretanto, nem sempre tem-lhe dado saída, acarretando sérios problemas oriundos da super-produção, o que aliás tem preocupado quase todos os governos.

Conseqüências sociais – O afastamento das classes tem acarretado lutas entre elas, e sabe-se que nas grandes indústrias este problema precisa ser bastante considerado. Importantíssima é também a transformação demográfica, que a indústria tem produzido. Sabe-se que há populações cuja média de crescimento tem sido fantástica. Os Estados Unidos servem como exemplo: em 1850 havia 23 milhões; em 1929, 120 milhões. A própria Europa, que em 1850 possuía 260 milhões, em 1929 alcançou 460 milhões. Ainda demograficamente observa-se um outro fenômeno: o aumento da população urbana em detrimento da rural.

Outros fatores se têm criado, como o sério problema dos desempregados, motivado pelo uso descontrolado da máquina. Mais econômico, sem dúvida, que o braço humano, porém com grande prejuízo para este.

Do ponto de vista da família, podemos dizer: a família do trabalhador praticamente não existe, mormente nos grandes centros, onde a vida é difícil, e por isso os filhos, desde os primeiros anos, são atirados à procura dos meios de subsistência. A esposa muitas vezes emprega-se em fábricas, na maior parte dos casos deixando ao abandono as crianças, que serão os homens de amanhã. Podemos considerar o vulto deste problema pelas atenções que lhe têm sido dispensadas — são os problemas de assistência social.

Conseqüências políticas – A grande produção requer também grande consumo, e daí a necessidade de mercados, isto é, a luta pelo imperialismo comercial, a maior ameaça à paz em nossos dias. As potências industriais têm necessidade de colônias que lhes garantam a compra e fornecimento de matérias-primas. Isto vem influir sobre a política, com as competições entre as grandes potências: a política dos protetorados, das conquistas, etc. As classes sociais vão aos poucos se interdependendo cada vez mais e estabelecendo concessões, colaborando assim para o desenvolvimento dos regimes democráticos e socialistas.

Países senhores do comércio mundial – O Japão surgiu como país comercial durante e depois da Grande Guerra, quando organizou suas indústrias. Domina hoje em grandes regiões do Pacífico e na Ásia, principalmente na China. A Itáliaentra agora no comércio mundial através de suas colônias, porém sua indústria ressente-se ainda da fraca organização.

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PARA CITAR ESTA POSTAGEM:
IDADE MODERNA E CONTEMPORÂNEA: A indústria moderna, 2014, por Site Plínio Corrêa de Oliveira, São Paulo, SP, Brasil, visto em Fev. 2014 “http://www.pliniocorreadeoliveira.info/BIO_1936_Pre_Universit%C3%A1rio_16.htm”.

CONTATO:
allan.santosbr@gmail.com

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