A crise é de Fé e é grave


Alguns anos antes de falecer, após 35 anos de militância como presidente da Permanência, Júlio Fleichman narrou sua trajetória ao lado de Gustavo Corção — o mais firme de nossos polemistas católicos — os eventos decisivos na formação de seu posicionamento diante desta terrível crise de nosso tempo, e de seu combate aos inimigos da Igreja. 
 
Hoje, os membros de Permanência e os novos católicos que vão se convertendo à defesa da Tradição, reúnem-se na Capela S. Miguel Arcanjo, às sextas e domingos, no Cosme Velho, para assistir a “Missa de sempre” — a Missa Tridentina, celebrada por D. Lourenço Fleichman, OSB — e prosseguir no combate.

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A Protestantização do Concílio Vaticano II


Conferência do Pe. Franz SCHMIDBERGER, FSSPX
Simpósio de Teologia em Paris, outubro de 2005.

Nossa exposição divide-se em 4 partes:
1ª Resumo da posição protestante;
2ª Presença dos protestantes no Concílio Vaticano II;
3ª Influência protestante no espírito e nos documentos do Concílio;
4ª Escorço sobre o pós-Concílio e conclusão;
I. RESUMO DA POSIÇÃO PROTESTANTE Continue reading

“O Papa não é o ‘primeiro entre iguais’; ele é o fundamento, a pedra da unidade da Igreja”, defende Gerhard Müller


Nota do blog: a postagem original do texto em Espanhol retirado do site paraula.org, não pode ser visualizada. Assim, os leitores poderão ler o texto original em cache AQUI. Segue a tradução da Unisinos.

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O prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, o arcebispo alemão Gerhard Ludwig Müller, que será criado cardeal pelo Papa Francisco no Consistório do próximo mês de fevereiro, garante, em uma entrevista publicada neste domingo, dia 26, no jornal da Arquidiocese de Valência, o Paraula, que “a Igreja não é uma instituição afastada das pessoas, baseada em teorias e regras”, mas “a família de Deus”.

A reportagem é de Jesús Bastante e publicada no sítio espanhol Religión Digital, 26-01-2014. A tradução é de André Langer.

Na entrevista, o cardeal eleito, de 66 anos, afirma que “todos, inclusive os que têm restrições à religião, têm que saber que são amados por Deus”, e precisa que “esta é a razão da alegria cristã”.

Por outro lado, assinala que “na era da globalização e dos meios de comunicação social, é mais fácil realizar a colegialidade dos bispos com o Papa”, embora advirta que a Igreja “não é uma sociedade política” e, portanto, “não podemos realizar a colegialidade do ponto de vista de uma sociologia da política ou da democracia”.

Em relação ao processo de unidade dos cristãos, o prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé considera que “a unidade da Igreja não é apenas uma unidade ideal, mas real, que se concentra e que se torna visível na pessoa doPapa, que é o sucessor histórico e teológico de Pedro como o primeiro dos apóstolos”.

Perguntado sobre o Papa FranciscoGerhard Ludwig Müller responde que o que mais lhe chama a atenção é que “não faz distinções e se aproxima de todos os corações por igual, quer sejam pobres, crianças ou chefes de Estado”.

Sobre o Papa Emérito Bento XVI, do qual o cardeal eleito é responsável pela edição de suas obras completas, afirma que mantém contato com ele em seu retiro no mosteiro Mater Ecclesiae do Vaticano. “Está relativamente bem de saúde, tem a cabeça absolutamente clara e pode ser que escreva ainda alguns textos autobiográficos”, assegura Müller.

Igualmente, o prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, que foi professor durante 16 anos de Dogmática na Universidade de Munique, mostra-se convencido de que é “absolutamente importante a fundamentação teológica e dogmática do Direito Canônico”.

Além disso, garante também que “o Concílio Vaticano II formulou a doutrina sobre a Igreja, e isto vale dogmaticamente para sempre”. De fato, compara o Concílio com o que acontece “em nossa vida cristã: somos batizados, mas necessitamos sempre de uma renovação do nosso estilo de vida cristã para não sermos apenas cristãos ‘no papel’, mas cristãos de corpo e alma”.

Seguem extratos da entrevista.

Antes de mais nada, queremos agradecer-lhe por sua atenção por esta entrevista que concede aos meios de comunicação da Arquidiocese de Valência, cidade que conheceu na época em que foi estudante, e felicitá-lo após o anúncio do Papa de que será criado cardeal pelo Santo Padre no próximo Consistório. O que significa isto para você?

É um grande reconhecimento, mas devo dizer-lhe que é uma nomeação que vai de par com o meu cargo de prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé. ACongregação é a primeira da cúria romana. Somos a primeira ajuda para o Papa porque ele é o sumo sacerdote da Igreja, o primeiro que ensina o Evangelho…

Você veio para Valência para uma conferência organizada pela Faculdade de Direito Canônico da Universidade Católica de Valência sobre ‘Colegialidade e exercício da potestade suprema da Igreja’, dois aspectos cuja relação o Papa Francisco está apresentando com força. Quais são as linhas fundamentais que quer ressaltar sobre esse assunto?

Jesus escolheu os doze Apóstolos como um colégio, como um grupo, como uma fraternidade e isto é um exemplo a mais para descrever o modelo da relação doPapa com os bispos. O Concílio Vaticano II diz que todos os bispos devem estar unidos ao Papa considerando-o como o centro, o princípio fundamental da unidade da Igreja. E têm que governar toda a Igreja, as particulares e as dioceses, mas sempre sendo uma unidade, não apenas uma conexão, uma soma de Igrejas locais. Confessamos a Igreja una no Credo e se faz presente nas Igrejas locais, nas dioceses. Todos os bispos têm uma responsabilidade universal para serem guiados pelo Papa, já que ele é o ‘encarnado’ em Jesus Cristo como o princípio central da unidade da Igreja. E tudo isto, hoje, na era da globalização e dos meios de comunicação social, é mais fácil realizar esta colegialidade dos bispos com Pedro. Sob a orientação do Papa, formam uma unidade colegial.Mas o Papa não é o ‘primeiro entre iguais’; ele é o fundamento, a pedra da unidade da Igreja que Cristo fundou sobre Pedro, e seu único sucessor é o Bispo de Roma .

Precisamente, estamos celebrando a Semana de Oração pela Unidade dos Cristão s. De que maneira essa colegialidade e esse exercício da potestade suprema podem ajudam no caminho para essa unidade.

É verdade que muitos cristãos católicos têm restrições, quer sejam históricas ou por más experiências, a uma supercentralização da Igreja na cúria romana.Também existem dentro da concepção protestante algumas acusações contra oPapa assegurando que ele é o anticristo. As relações ortodoxas são completamente diferentes. Elas têm uma concepção sacramental da Igreja, diferentemente dos protestantes, que têm uma eclesiologia também dogmaticamente diversa e diferente da nossa.

Mas muitos deles hoje entendem que é bom e necessário ter um centro, um representante da unidade da Igreja. Não é apenas sociologicamente necessário, mas também teologicamente. Todos os cristãos confessam, no Credo, “creio na Igreja, que é una, santa, católica e apostólica”. A unidade da Igreja não é apenas uma unidade ideal, mas real, que se concentra e que se torna visível na pessoa do Papa, que é o sucessor histórico e teológico de Pedro como o primeiro dos apóstolos.

Certamente, na Faculdade de Direito Canônico da Universidade Católica se insiste muito na vinculação entre Teologia e Direito Canônico, na fundamentação teológica do Direito Canônico. Esta relação é importante?

Absolutamente. Eu ensinei durante 16 anos Dogmática na Universidade de Munique. Esta escola sempre destacou o fundamento teológico, dogmático do Direito Canônico. A Igreja é uma sociedade visível, humana, mas ao mesmo tempo é sacramento e torna presente a comunhão íntima entre Deus e os homens. Quando isto forma uma unidade em nível eclesiológico e das ciências teológicas, não podemos dividir a Bíblia, a exegese, a dogmática, a teologia pastoral… Tudo forma um conjunto.

No Direito Canônico temos os elementos teológicos; as leis que regulam a forma de vida da Igreja sempre terão uma dimensão teológica, dogmática. A Escola de Munique desenvolveu esta unidade entre teologia, dogmática e direito. Tem suas raízes no sacro, não apenas na dimensão civil.

Nossa Senhora da Santa Montanha?


Nenhuma defesa doutrinal contra as novidades provenientes do Concílio Vaticano II se baseiam em aparições, sejam estas aprovadas pela Igreja, como a de Fátima, sejam como esta que segue abaixo, simplesmente pois as fontes da Teologia sagrada não são estas, mas a Sagrada Escritura, a Tradição e a regra próxima da Fé, o Magistério. Entretanto, estas aparições podem favorecer a melhor compreensão da defesa doutrinal, e é o que acontece com esta da cidadezinha de Guiricema, MG. Entre tantas coisas supostamente ditas por Nossa Senhora, destaco esta:

Nossa Senhora pediu para que “conservasse a Tradição e aquilo que a Igreja sempre ensinou […]. […] Padre usar batina, as freiras o hábito, as pessoas o modo modesto de vestir“.

Sem mais, segue o vídeo-reportagem feito no local:

Vejam também este trabalho acadêmico realizado por Maria Goretti Lanna, da Universidade Federal de Juiz de Fora: http://seer.ufrgs.br/CienciasSociaiseReligiao/article/viewFile/26676/20919

Catolicidade


Católico e ecumênico são dois adjetivos de origem grega que, se olharmos no dicionário, têm o mesmo significado: universal. Possuem, contudo, matizes distintos.
Católico vem de katá hólos, algo assim como “em ordem à totalidade”, daí que signifique geral, universal. Ecumênico deriva de oíkuméne, “toda a terra habitada”, já que ôikos significa casa. Católico, portanto, significa universal em um sentido mais amplo, menos determinado, enquanto que ecumênico se refere a uma universalidade territorial.