O caráter patógeno da cultura atual


Martín Echavarría aponta nesta palestra o quanto a cultura atual é capaz de produzir transtornos psíquicos em profusão: instabilidade emocional; impulsividade irresponsável; variabilidade de humor, com períodos de excitação extrema alternados com momentos de depressão profunda; problemas de identidade (inclusive sexual); monomania; relações interpessoais que oscilam entre uma primária idealização das demais pessoas e a sua demonização cega; episódios dissociativos em situações de estresse; condutas autodestrutivas (que incluem auto-lacerações); crescente número de tentativas de suicídio; promiscuidade; ansiedade; etc.

Vejam o vídeo:

A simulação “artística” do mal



Dizer que a cultura contemporânea é difusora de incontáveis anomalias anímicas, mutilações espirituais e traumas psicológicos em escala jamais vista é fazer referência indireta a um princípio aceito por qualquer antropologia digna deste nome: há, no homem, uma aptidão radical a realizar em si mesmo o bem, a começar pelos bens a que tende a vida, os quais, no seu caso, abarcam todas as potências e apetites sensitivos que possui e culminam na esfera volitiva e intelectiva.[1] Do prazer da comida e do sexo ao êxtase místico ou à compreensão de elevadas verdades da ciência e da filosofia; do desejo ou avidez pelas coisas sensíveis, de per si boas, à fruição do inteligível, cujo ápice é o verdadeiro amor, que aguça a inteligência e abrasa a vontade.

Na cultura, passamos de um estágio de maldade a outro, nas últimas décadas: transitamos da hipocrisia ao escracho total, dos malefícios ocultos ou com aparência de bem às maldades escancaradas. Lembremos aqui que o hipócrita ainda possui certa preocupação de parecer bom, sinal de que ainda resta alguma medida moral no seu horizonte de cogitações, resquício de pudor natural que o impede de revelar-se completamente. Já o imoralista escrachado perdeu o vínculo com princípios e valores humanos universais, tal é a inversão das tendências constitutivas de sua psique.

No caso do rock and roll, objeto deste brevíssimo texto, já vai muito longe o tempo em que a adesão ao mal era simulada. Já vai longe a época em que as mensagens satânicas eram mais ou menos cifradas, em músicas como Hotel California, da banda The Eagles, referência à sede da Church of Satan, ou entãoSympathy for the Devil, dos Stones. E muitíssimas outras mais! De lá para cá, chegou-se a Marylin Manson, a Lady Gaga e a outros representantes de correntes satanistas absolutamente explícitas.

Pois muito bem: na noite de hoje, no Rock in Rio, foi a vez do grupo Ghost fazer as honras dos devotos da maldade. O show da banda sueca foi a literal simulação de uma missa negra, ou seja, de um culto a Lúcifer — que, na vida real, pode chegar a incluir sacrifícios humanos, embora na maior parte das vezes consista em blasfemar contra Deus e reafirmar ritualisticamente um compromisso com os piores tipos de maldade.

Ver as imagens destes literais pobres-diabos, com cruzes invertidas, máscaras sinistras, cálices, símbolos esotéricos satânicos, etc., não foi o pior. O mais triste foi constatar, uma vez mais, como o jornalismo degradou-se a ponto de abordar a coisa com reportagens em tom de cobertura “cultural”, sem nem sequer perceber o significado macabro de uma pretensa arte que se volta para o mal não mais simulando um bem, mas simulando o próprio mal, o que requer requintes de perversão.

O genial Aristóteles, muito antes de Cristo, já nos ensinava que o homem é um animal que imita, por isso não convém à arte dar destaque a maldades nem caricaturar o bem. Que diria então o grande filósofo grego de uma representação como esta senão que se trata duma espécie de loucura voluntária altamente culpável, signo gritante da mais profunda depravação psicológica?

Pobres jovens, que, se estão ali adorando esta monstruosidade, já é sinal de não terem tido a providencial fortuna de encontrar quem lhes apresentasse outro caminho.

Pobres vidas que se voltam contra a vida! O seu futuro é a agonia, a angústia existencial, o desespero, o ódio. 

A menos que se dê um milagre .

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1- O tomista argentino Martín Echavarría, psicólogo e filósofo, possui alguns trabalhos em que aponta com grande acerto para o caráter patógeno da cultura contemporânea.

Psicólogo não cura absolutamente nada


Psicologia não cura nada. Não há um único transtorno psicológico que seja passível de cura total, e sim tratamento. TOC não tem cura. Transtorno do pânico não tem cura. Assim, o transtorno conhecido como homossexualismo ou homossexualidade também não. Mas isso não impede que o homossexual não possa controlar seus desvios e até ter um matrimônio feliz com uma pessoa de sexo diferente, o que seria uma vitória heroica da razão e graça divina contra as deficiências e as impurezas da carne.
Quando a mídia ataca aqueles que propõem que o homossexual tenha o direito de viver como heterossexual e receber algum auxílio especializado, está, na verdade, desviando o foco ao dizer que se está propondo cura, quando se sabe que nenhum dos males da alma pode ser tratado dessa maneira, sequer o alcoolismo ou a mania de arrumação.
Eu tenho claro para mim que não se pode falar em cura para transtornos psíquicos. No entanto, alguns hábitos podem fortemente repudiados pelo indivíduo. Esses são só aqueles que não estão profundamente arraigados. Assim, um tratamento com um psicólogo pode obter relativo sucesso, e, inclusive, ter início, meio e fim, mas eu sustento que nunca se poderá falar em cura nesses casos, até porque o mal psíquico, ao contrário do corporal, é invisível. Não há como averiguar em que medida ele ainda se encontra presente.
Toda doença é, sob o ponto de vista filosófico, um hábito. Um hábito é uma qualidade inerente a um ser. Até a graça é um hábito, diz a teologia. Assim, temos hábitos bons e maus. Os bons chamam-se virtudes, e os maus, vícios. O conhecimento científico ou os dons artísticos são hábitos. Contudo, o termo hábito vai muito além do mero comportamento ou das tendências. A maneira como um ser se apresenta é o que se chama hábito. Por isso, as doenças são também hábitos.
Alguns hábitos podem ser repudiados pelo indivíduo, pela aquisição de um hábito contrário. Contudo, como eu expliquei acima, o homem não tem um controle absoluto sobre um hábito adquirido. Se ele tem o hábito científico, não pode simplesmente deixar de tê-lo. Ele pode diminuir a influência desse hábito, mas nunca poderá dizer que nada resta dele. É por isso, por exemplo, que pessoas que levam anos sem beber podem ter recaídas. Assim, nenhum paciente ou psicólogo, por mais sucesso que tenha o tratamento, pode estar assegurado do fim de um hábito, do qual se queira se livrar.
Sobre o homossexualismo ser um hábito que necessite ser modificado, ou doença no dizer psicológico, quero dizer que classificar um hábito como nocivo (doença nada mais é do que um hábito nocivo) decorre do prejuízo que esse hábito pode causar à pessoa individualmente ou em grupo. Que o hábito homossexual cause algum prejuízo à pessoa individualmente, é fora de questão, posto ser também um pecado ou uma violação da ordem natural. Que ele cause prejuízo à pessoa em grupo, decorre da não aceitação do homossexualismo. Esse segundo aspecto pode ser mudado, embora não seja inteiramente mau, pois a sociedade deve realmente repudiar as práticas contrárias à lei natural, embora sem cometer injustiças anexas a esse repúdio, no entanto, é inegável que só pelo primeiro aspecto se poderia considerar a homossexualidade como nociva. Quem argumenta o contrário não poderia, por exemplo, classificar o TOC como doença, dado que quem sofre desse mal pode alegar conviver felizmente com ele e apenas sofrer preconceito por parte de pessoas de seu convívio.
Neste link (http://estudostomistas.blogspot.com.br/2012/08/principios-filosoficos-para-una-teoria.html), está uma página que remete a um artigo sobre enfermidades psíquicas e psicoterapia do ponto de vista filosófico tomista, que complementa, de certa forma, minhas observações neste tópico.

La fe catolica y la psicología


Indicado por nosso grande amigo o Dr. Martín Federico Echavarría, apresentamos uma excelente palestra do Dr. Verdier, autor de  Psicología y psiquiatría. Textos del Magisterio Pontificio”, excelente livro publicado pela BAC. Aguardamos a bondade de nossos leitores que possam traduzir do espanhol para o nosso amado português.

A matéria original e em espanhol se encontra abaixo:

El jueves 23 de mayo 2013 tuvimos la oportunidad y la gran suerte de asistir a la exposición que dio el Doctor Pablo Verdier, docente de la Pontificia Universidad Católica, acerca de las relaciones existentes entre la fe y la ciencia psicológica.

La exposición comenzó con una interrogante acuciante ¿se puede hablar de relación entre la Fe Católica y la Psicología? Es decir, se puso en tela de juicio el mismo nombre de la ponencia.

En seguida, se reconocieron dos situaciones de hecho:

 Relación debe existir porque ambas, la Fe y la Psicología, se dan en el ser humano. Es decir, conviven en el ser racional, por lo que la unidad en la diversidad de temas se da en el intelecto de éste.

 La relación, que presupone la inter-comunicación entre dos ciencias, de la fe con la Psicología no existe. Afirmación fuerte, pero que contundentemente el Doctor Pablo demuestra en el desarrollo su exposición.

Así las cosas, tomando en cuenta estos dos datos, se procedió a leer el N° 76 de la Encíclica “Fides et Ratio”, pero en clave apócrifa, como jovialmente diría el Doctor Pablo, por el sentido equívoco que le dio al término, sustituyendo en donde dice el original del texto “Filosofía Cristiana” por “Psicología Cristiana”. Veamos cómo quedó entonces:

“(…) Psicología (filosofía) cristiana. La denominación es en sí misma legítima, pero no debe ser mal interpretada: con ella no se pretende aludir a una Psicología (filosofía) oficial de la Iglesia, puesto que la fe como tal no es una Psicología (filosofía). Con este apelativo se quiere indicar más bien un modo de hacer Psicología (filosofar) cristiano, una especulación Psicológica (filosófica) concebida en unión vital con la fe. No se hace referencia simplemente, pues, a una Psicología (filosofía) hecha por Psicólogos (filósofos) cristianos, que en su investigación no han querido contradecir su fe. Hablando de Psicología (filosofía) cristiana se pretende abarcar todos los progresos importantes del pensamiento Psicológico (filosófico) que no se hubieran realizado sin la aportación, directa o indirecta, de la fe cristiana.

Dos son, por tanto, los aspectos de la Psicología (filosofía) cristiana: uno subjetivo que consiste en la purificación de la razón por parte de la fe. Como virtud teologal la fe libera a la razón de la presunción, tentación típica a la que los Psicólogos (filósofos) están fácilmente sometidos (…). Con la humildad, el Psicólogo (filósofo) adquiere también el valor de afrontar algunas cuestiones que difícilmente podría resolver sin considerar los datos recibidos de la Revelación (…).

Además está el aspecto objetivo, que afecta a los contenidos. La Revelación propone claramente que, aun no siendo por naturaleza inaccesibles a la razón, tal vez no hubieran sido nunca descubiertas por ella, si se la hubiera dejado sola (…)”

Esta fue la llave que se utilizó para plantear la idea eje del ponente: el diálogo entre la fe y la Psicología tiene estas dos perspectivas: objetiva y subjetiva.

La subjetiva, es cómo la fe viene en ayuda del Sujeto. Es decir, la Revelación ayuda al Psicólogo a librarlo de la tentación de la presunción. Y le facilita el camino a la virtud de la humildad, con la cual podrá escudriñar más, y con menos riesgo de desviarse.

El aporte subjetivo de la Revelación también se expresa a través del Magisterio de la Iglesia para el cristiano. Éste constituirá una guía a la vez que un límite en sus investigaciones. Y qué ha dicho la Iglesia respecto la Psicología y la Psiquiatría, el mismo Doctor Verdier lo ha recopilado en un texto llamado “Psicología y psiquiatría. Textos del Magisterio Pontificio”, que recoge todas las referencias que se han hecho acerca de la Psicología desde Pio XII hasta Benedicto XVI, editado por la B.A.C.

En la dimensión objetiva, se señaló, que la Revelación aporta conocimientos naturales, que no son estrictamente sobrenaturales, y que ayudarán al contenido de la Psicología. El Doctor Pablo se detuvo en 3 conceptos que forman parte del contenido, y que dan una visión integral del ser humano: alma espiritual, naturaleza, libertad.

Para que suceda la integración entre la fe y la Psicología tendrá que darse una convergencia en estos conceptos. Se trata de hablar del mismo ser humano objeto de la Revelación y objeto de la ciencia Psicológica.

El Doctor, ahí expuso cómo cree que la integración no está hecha, en vistas que los conceptos que la Psicología maneja de, por ejemplo, alma espiritual, libertad, naturaleza, no son los mismos que maneja la filosofía cristiana. De donde se saca la abismante conclusión, que la Psicología ofrece, por tanto, una cosmovisión completa en disonancia con la fe, por tener en la base y principios, concepciones distintas respecto la persona humana.

Por eso, diría el Doctor Pablo al final: “Queda todo por hacer”. La integración no está hecha. Hay que hacerla. El mismo abismo que surge en la conclusión de arriba, es la misión que tenemos los cristianos de relacionar correctamente fe y Psicología. Y para eso ya contamos con la contundente recopilación que hizo el Doctor Pablo Verdier respecto lo que ha dicho el Magisterio en estos temas.

Si no ha tenido la oportunidad de asistir, compartimos a continuación el video de la conferencia.

En el marco del año de la fe, continuamos con los Cursos de Cultura Católica, el próximo Curso tendrá lugar el jueves 27 de junio y una vez mas estará a cargo del Cardenal Jorge Medina Estévez, con la segunda virtud teologal “La Esperanza”.